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Perícia em boate Kiss dura mais de quatro horas

Peritos do IGP encontraram bolsa em chapelaria

Local foi isolado para trabalho dos peritos
Local foi isolado para trabalho dos peritos Foto : Mauro Schaefer
Após cerca de quatro horas e meia, foi encerrada a perícia do Instituto Geral de Perícias (IGP) realizada na manhã desta terça-feira na boate Kiss, palco do incêndio que matou 237 pessoas em Santa Maria, região central do Estado, no último dia 27 de janeiro. Os peritos não comentaram sobre o trabalho, mas informaram que encontraram uma bolsa preta na chapelaria da danceteria. O objetivo foi entregue à Polícia Civil.

Esta deve ser a última inspeção no local. O material coletado será encaminhado para um laboratório em Porto Alegre, onde será examinado. Toda a boate foi analisada, mas o trabalho principal se concentrou no palco da Kiss – onde o incêndio teve início.

Do lado de fora, familias e amigos das vítimas da tragédia continuam prestando homenagens. Duas estudantes de odontologia fixaram uma faixa com a foto de um casal de amigos que morreu no incêndio. Na parede da boate foi estendida um cartaz com os dizeres: "A Boca do Monte não sorri mais. Queremos paz, queremos justiça."

Sócio da boate deve ter alta do hospital

Um dos sócios da boate Kiss, o empresário Elissandro Callegaro Spohr - conhecido como Kiko - deve ter alta do Hospital Santa Lúcia, de Cruz Alta, ainda nesta terça-feira. Ele foi internado após um quadro de intoxicação pela fumaça causada pelas chamas.

O outro sócio da Kiss Mauro Hoffman e dois músicos da banda Gurizada Fandangueira - o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor Luciano Augusto Bonilha Leão - permanecem detidos no Presídio Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão. A expectativa é de que Spohr receba alta e tenha o mesmo destino.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público jovem participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna.

As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Testemunhas relataram que, a princípio, parecia uma briga e os seguranças fizeram um cordão de bloqueio. Mas, quando viram que era um incêndio, liberaram a passagem.

Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram. Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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