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Prefeitura de Santa Maria emite nota sobre CPI da boate Kiss

Gravação de conversa entre vereadores pode colocar comissão em xeque

Manifestantes invadem Câmara de Santa Maria
Manifestantes invadem Câmara de Santa Maria Foto : Daniela Uberty / Especial CP
O secretário municipal de Relações de Governo e Comunicação de Santa Maria, Giovani Manica, emitiu uma nota à imprensa na tarde desta terça-feira, após tumultuada sessão na Câmara de Vereadores da cidade. Um grupo de manifestantes invadiu a Casa após o vazamento de uma gravação da conversa de duas vereadoras integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Boate Kiss, que teriam dito que a investigação não daria em nada.

Os vereadores analisaram a gravação com os líderes da manifestação e decidiram instalar uma comissão de Ética. Na nota, o secretário municipal prometeu ingressar com “representação na Câmara para investigar a falta de decoro, para cassação do parlamentar”. O nome de Manica e do prefeito Cezar Schirmer foram citados pelos parlamentares. Aliás, o prefeito vai prestar depoimento na Câmara nesta quarta-feira, às 9h.

A Câmara de Vereadores divulgou no início da noite a gravação polêmica entre parlamentares (ouça aqui). O advogado da Associação dos Familiares Sobreviventes da tragédia da Boate Kiss, Jonas Stecca, pediu uma cópia do áudio para enviar à polícia. 

NOTA OFICIAL

Tomei conhecimento informalmente que fui citado numa reunião da CPI da Kiss que foi gravada. Não sei seu teor, mas por esse motivo já tomei as seguintes providências:

1- Antecipadamente me coloquei a disposição das Autoridades Policiais;
2- Conversei com o Sr. Adherbal Ferreira, Pres. da Associação das Vítimas, e com o Dr. Jonas Stecca, advogado das vítimas, e informei que assim como eles, e até conjuntamente, irei até as últimas conseqüências para apurar os fatos;
3- Vou acionar através de Interpelação Judicial Criminal as pessoas que citaram meu nome para que informem o motivo e o verdadeiro sentido da citação, bem como que provem o afirmado;
4- Ingressarei com representação na Câmara de Vereadores para investigar a falta de decoro, para cassação do parlamentar;

As pessoas podem falar o que querem desde que se responsabilizem por suas afirmações, e essa responsabilidade vou buscar até as últimas consequências.

Sou pai, santa-mariense, perdi amigos e familiares nessa tragédia que deixa a uma sensação de impunidade na cidade, a qual não sou, não fui, e não serei conivente, e não vou aceitar que as mais baixas condutas políticas ataquem minha pessoa.

Vão responder por qualquer tipo de leviandade, suspeição ou canalhice comigo. Sou formalista e cumpridor da lei, e quem trabalha comigo sabe disso.

E mais, fui a CPI e concedi o mais longo e esclarecedor depoimento. Se não queriam que fosse será que é porque algumas pessoas sabem que falo a verdade? Dito isso dentro de uma CPI governista parece muito evidente que trata-se de uma “trama política”, para desviar o foco de quem realmente deve prestar esclarecimentos e resultados, se aproveitando do momento de fragilidade das pessoas envolvidas.


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