Fortunati disse que a prefeitura estrá propondo a reposição da inflação, aumento de 10% para os níveis mais baixos de salário e a discussão do plano de carreira, esse sim, conforme a avaliação dele, de extrema importância para os municipários. Quando questionado a respeito de reajustes maior do que a inflação concedidos por outros municípios da Região Metropolitana, ele alegou que "provavelmente esses municípios não fizeram a reposição da inflação nos últimos anos", e que os servidores da Capital têm salários mais altos. "Para que a população tenha ideia. Um professor que entra hoje na prefeitura, com jornada de 40h, ganha R$ 4.835,00 e outras vantagens que se agrega ao salário. Não se pode dizer que isso não é um bom salário."
O prefeito afirmou, ainda, que ele seria irreponsável dando um aumento além do que a prefeitura pode. "Gostaria muito de atender às reivindicações, mas não tenho como fazer isso. Temos que dar reajuste, mas também pensar na cidade."
O funcionamento das escolas municipais e dos postos de saúde foi afetado pela greve dos municipários deflagrada a partir das primeiras horas da manhã desta segunda-feira. Apenas o Hospital de Pronto Socorro, as unidades de pronto-atendimento Cruzeiro do Sul, Bom Jesus e Lomba do Pinheiro e os centros de saúde Modelo e Santa Marta funcionaram a pleno.
Na Unidade Básica de Saúde Doutor Pestana, no bairro Navegantes, um vigilante era quem repassava orientações quanto aos atendimentos que seriam prestados durante a greve. À entrada do prédio, um manuscrito alertava: “Todos os servidores do município estão em greve. Nossos serviços estão reduzidos. Contamos com a tua colaboração”.
A dona de casa Cleusa Rodrigues, 36, ficou revoltada ao descobrir que a ginecologista aderiu à paralisação. “Há uma semana passei a madrugada na fila para agendar esse atendimento”, recordou. Outra que lamentou foi a aposentada Nelci Godoy, 67, que também foi impedida de consultar devido à ausência de alguns médicos que aderiram à greve. “O povo é sempre prejudicado com estas paralisações”, disse.
A estimativa é que professores e servidores de 90% das escolas municipais tenham paralisado as atividades. Os alunos foram avisados de que não teriam aula ainda na sexta-feira. Hoje, nove crianças compareceram à Escola Municipal de Ensino Fundamental Vereador Antonio Giudice e foram recebidas pelo guarda municipal Rogério de Oliveira. “Provavelmente faltaram à aula na sexta”, comentou. Alguns estudantes retornaram para casa bravos, conforme relatou Oliveira.
A Escola Municipal de Educação Infantil Humaitá também ficou fechada, deixando de atender 103 alunos com idades entre 18 meses e seis anos. A secretária municipal de Educação, Cleci Jurach, aposta que a situação estará normalizada na segunda-feira. Lembrou que os servidores de escolas que aderiram à greve terão o ponto “cortado”. Com isso, precisarão recuperar aulas não dadas para que os alunos não sejam prejudicados. A orientação é de que a recuperação ocorra durante as férias de inverno, no mês de julho.
A diretora-geral do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Carmen Padilha, afirmou que 70% dos servidores da prefeitura estão paralisados. Nesta terça-feira, a partir das 14h, os grevistas avaliam os próximos passos do movimento em assembleia geral, na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia. Os municipários reivindicam reajuste salarial de 18% – 11,49% para recuperação de perdas, e itens relacionados à melhoria das condições de trabalho e valorização, incluindo a elevação do vale-alimentação de R$ 12,00 para R$ 18,00. A prefeitura oferece 9,95% de reajuste para os servidores padrões 2 e 3 - detentores dos menores salários - e de 6,51% para os demais, além de elevação do valor do vale-alimentação em R$ 0,70 e outras vantagens financeiras e sociais.