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Prefeitura vai apurar se houve falha técnica em tubulação rompida

Em razão da enxurrada de ontem, cratera foi aberta em obra no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre

Prefeito José Fortunati foi até o local onde uma cratera se abriu por causa da forte chuva
Prefeito José Fortunati foi até o local onde uma cratera se abriu por causa da forte chuva Foto : Ricardo Giusti / PMPA / CP
Em visita ao bairro Auxiliadora, onde uma cratera se abriu na esquina da rua Coronel Bordini com a Marquês do Pombal, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, declarou ter ficado “perplexo” com as consequências da chuva que atingiu a Capital na tarde dessa quarta. Fortunati garantiu que um grupo de engenheiros vai apurar se houve falha técnica na obra do Conduto Álvaro Chaves, que custou cerca de R$ 59 milhões aos cofres públicos.

Segundo o prefeito, a estrutura será avaliada e, se confirmado erro humano, os responsáveis serão punidos. “Vamos fazer um laudo pericial. Nós vamos tomar todas as medidas possíveis para que a obra possa voltar a ter segurança definitiva. Se houver responsabilidade técnica, obviamente, há de vir penalização”, sintetizou.

Fortunati ressaltou que solicitará apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS) para elaborar o laudo sobre a tubulação. “Estou perplexo com o estrago causado. Naturalmente nós tivemos um verdadeiro dilúvio sobre a cidade, mas isso não pode justificar o que estou vendo aqui. A obra tem que aguentar qualquer inundação. E não aguentou. Então tem um problema técnico”, ponderou.

A forte chuva abriu um buraco na via e um carro que estava estacionado caiu no local. Conforme a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o condutor não estava no veículo. De acordo com diretor-geral do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), Tarso Boelter, o problema ocorreu em razão dos 62 mm de precipitação que caíram na Capital. Os técnicos da prefeitura utilizam britadeiras e retroescavadeiras para recuperar o trecho.

Cidade subterrânea

Dos 15 mil metros de canalizações do Álvaro Chaves, 1,95 mil metros são de conduto forçado (rede sob pressão), 2,51 mil metros são redes de macrodrenagem e 10,85 mil metros são tubulações de microdrenagem (rede de diâmetro inferior a 1,5 metro).

Cerca de 3,8 mil metros de galerias de concreto foram construídas no subsolo para conduzir a água da chuva ao Guaíba. Na Rua Cel. Bordini localiza-se a maior galeria do conduto, com 7,5 metros de largura e 2,5 metros de altura. Para a execução dessa galeria, o DEP fez uma escavação de 8,8 metros de profundidade, maior que um prédio de dois andares.

O conduto foi construído com financiamento de 66% do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida da prefeitura de Porto Alegre, de 34%. O objetivo é controlar alagamentos em pontos críticos de nove bairros e da Avenida Goethe.

Falta de luz é normalizada

Na manhã desta quinta-feira, cerca de 800 clientes permaneciam sem luz em função da chuvarada. Porém, pouco antes das 11h, a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) informou ter normalizado o serviço.

Os principais problemas ocorreram em Porto Alegre. No momento da enxurrada, mais de 40 mil clientes ficaram sem o serviço. Nas áreas de concessão da RGE e da AES Sul não houve registros de clientes sem luz.

Emergência do Hospital de Clínicas segue restringindo atendimentos

A administração do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) informou que o Ambulatório do subsolo, fechado na manhã desta quinta-feira, também não funcionará no turno da tarde. A área foi inundada durante a chuva e, desde então, vem passando por limpeza, desinfecção e manutenção dos estragos. A equipe do HCPA entrará em contato com os pacientes para reagendar as consultas que estavam marcadas.

Com informações do repórter Jimmy Azevedo

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