O transportador prestou depoimento hoje aos promotores Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho. Ele afirmou que em apenas uma oportunidade a Confepar, união de cooperativas no Paraná que recebia o leite adulterado, rejeitou a carga. Em função do acordo, o MP deverá pedir a redução de metade da pena do suspeito.
“Resolvemos propor esse acordo pela qualidade da informação trazida ao conhecimento do MP. Nosso principal objetivo neste momento é estancar a atuação predatória e criminosa da Confepar no Rio Grande do Sul”, salientou Rockenbach. Conforme explica o promotor, o ganho da empresa paranaense estava centralizado no volume de leite recebido: “A indústria gaúcha está ociosa em 50% de sua planta. A Confepar praticava uma concorrência desleal, em prejuízo ao RS”.
No depoimento, o homem disse que até dezembro de 2012 transportava leite para a Latvida. Em função de problemas com a empresa, ele passou a negociar com uma concorrente. Nesse meio tempo, foi apresentado a um técnico da Confepar, que manifestou interesse em ficar com as suas rotas de produtores, inclusive propondo pagar mais do que a concorrência.
Conforme confirmou esta tarde ao MP, dez dias depois ele começou a utilizar uma fórmula de adulteração repassada por um conhecido. Posteriormente, o técnico da Confepar teria entregue a ele a mesma fórmula e sugerido sua utilização, dizendo que nenhuma análise detectaria a adição de água. Ela consistia em adicionar 70 litros de água e 300 gramas de ureia ao leite.
O depoente ressaltou que a mistura de água e ureia era adicionada ao leite depois da coleta junto aos produtores e colocada em todos os tanques, não separando leite de boa qualidade do adulterado. Ele informou ao MP que quando havia fiscalização do Ministério da Agricultura era avisado para desviar a rota.
Por envolver uma empresa de fora do RS, o subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Marcelo Dornelles, manteve contato com o secretário Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi; com o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, deputado Edson Brum; e com o presidente da Comissão de Representação Externa para acompanhar as investigações da fraude do leite no RS.
