São retomados nesta terça-feira os depoimentos de defesa dos réus no processo que investiga o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, que acarretou na morte de 242 pessoas em janeiro de 2013. De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), a estudante Dúnia Hwas, do curso de medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), prestará depoimento a partir das 10h30min e o promotor de Justiça, Ricardo Lozza, a partir das 14h.
O promotor será ouvido como testemunha, arrolada pela defesa de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos ex-sócios da Kiss e réu no processo. Jader Marques, advogado de Spohr, havia protocolado uma notícia-crime contra Lozza ainda em 2013, alegando que o promotor foi negligente na condução das investigações envolvendo a casa noturna no passado e, desse modo, também teve responsabilidades legais no caso do incêndio na boate. Um dos pontos colocados pela defesa de Spohr é a instalação das espumas de isolamento acústico na Kiss: a exigência, segundo o advogado Marques, era parte do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Kiss e o Ministério Público (MP), e foi justamente esse material o estopim do incêndio.
O processo que apura a tragédia na Kiss está na fase de instrução, ou seja, de produção de provas e oitivas de testemunhas. Ao todo, nesta fase, são 55 testemunhas. Depois do término desta etapa, caso o juiz entenda que não há necessidade de novos depoimentos, o magistrado passará a fase de interrogatório dos réus. Em seguida, decidirá se eles devem ir a júri popular ou julgamento comum.
Respondem ao processo os sócios da casa noturna, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, e os músicos da Banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão.