A direção da associação sem fins lucrativos voltou a afirmar que está satisfeita com o trabalho policial desenvolvido, que apontou 16 pessoas como responsáveis pela tragédia, além de indicar outros nomes como supostamente envolvidos no fato – entre eles o do prefeito Cezar Schirmer. “90% dos familiares das vítimas concordaram com o trabalho feito pela Polícia Civil”, afirmou.
O Ministério Público (MP) trabalha na avaliação do inquérito policial e na elaboração da denúncia. O órgão não descarta que o parecer sobre o caso ainda possa levar alguns dias para ser concluído. Com o feriado da Sexta-Feira Santa, os promotores Joel Oliveira e Mauricio Trevisan terão mais um final de semana para finalizar o trabalho. "Queremos transparência sobre todos os atos", disse Adherbal Ferreira ao falar sobre o trabalho da Promotoria. Após a conclusão da análise, os documentos serão remetidos ao juiz Ulysses Lousada, que atua na 1ª Vara Criminal de Santa Maria.
Protestos e homenagens
Adherbal Ferreira aproveitou a ocasião para se posicionar contrário ao ato público que deverá ocorrer ainda nesta segunda-feira no centro de Santa Maria. Os manifestantes se organizam em um protesto para pedir a saída de alguns indiciados que ocupam cargos públicos.
Já na quarta-feira, quando completam-se dois meses da tragédia, será feita novamente uma homenagem às vítimas. Buzinas e palmas devem ser acompanhadas do soar dos sinos das igrejas. Familiares e amigos dos jovens que morreram no incêndio vão se reunir na Praça Saldanha Marinho para o ato.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou entre 2h e 3h da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 241 pessoas mortas.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
