Teve início nesta terça-feira no Fórum de Santa Maria mais uma etapa do processo criminal da tragédia da boate Kiss, que matou 242 pessoas em janeiro do ano passado. O primeiro a depor nesta manhã foi Bruno Brauber Jaques, que era o responsável pela montagem e colocação do equipamento de iluminação da banda Gurizada Fandagueira. Ele confirmou que o grupo musical usava fogos de artifícios em suas apresentações e disse que não prestava atenção se as casas possuíam ou não exintores.
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Inicialmente, o advogado de Bruno Brauber Jaques pediu a liberação de seu cliente. O pedido foi indeferido. “Não me sinto a vontade em falar”, disse no início do depoimento. Em seguida, ele respondeu as perguntas. Bruno garantiu que algumas medidas de segurança eram tomadas antes da apresentação da banda, como evitar instalar os equipamentos próximos a locais com papel ou panos. No entanto, a questão relativa aos extintores de incêndio era responsabilidade das casas noturnas.
Integrantes de movimentos ligados às famílias das vítimas da tragédia na boate foram até o fórum de Santa Maria realizar manifestações. Eles levaram faixas pedindo por justiça. “Quando a sociedade se cala, a impunidade tem voz. Acorda Santa Maria”, dizia uma faixa levada pelo Movimento Santa Maria do Luto a Luta.
Mais quatro pessoas prestarão depoimentos nesta terça-feira. Ao todo, 55 pessoas serão ouvidas nesta etapa do processo, 46 de Santa Maria, indicadas pela defesa. Vão depor ainda hoje Felipe Freitas Noal, Jenifer Suzi da Silva, Marciano Dias Abreu e Nilvo José Dorneles. Respondem ao processo, os sócios da Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, e os integrantes da banda Gurizada Fandagueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão. Todo são acusados por homicídios qualificados com dolo eventual e tentativas de homicídio qualificado.