RS enfrenta pior momento da pandemia da Covid-19, avalia Leite

RS enfrenta pior momento da pandemia da Covid-19, avalia Leite

Governador destacou o ritmo acelerado de novas internações em leitos clínicos e de UTIs

Correio do Povo

Mapa colocou 11 regiões na bandeira preta

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O governador Eduardo Leite afirmou, durante transmissão virtual realizada no final da tarde de sexta-feira, que o Rio Grande do Sul está vivendo o pior momento da pandemia do coronavírus. Segundo ele, o aumento das ocupações de leitos clínicos e também de leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) está preocupante. Leite ressaltou que o ritmo do crescimento das internações está preocupante. 

Em comparação com "as duas primeiras ondas" de agravamento da pandemia, conforme Leite, os últimos 10 dias acenderam um alerta com relação à capacidade hospitalar em todo o território gaúcho. De acordo com o governador, na primeira onda de agravamento da Covid-19 no RS, entre junho e julho de 2020, a média diária de pacientes novos internados com diagnóstico positivo da doença era 64.

Já na segunda onda, registrada entre novembro e dezembro, o número aumentou para 67. E, nos últimos 10 dias, os hospitais gaúchos registraram, em média, 159 novos pacientes com Covid-19 por dia. "É um ritmo de crescimento que nós não tínhamos visto até então, a curva está muito inclinada  e é diferente do que já vimos por aqui", declarou.

Além do ritmo acelerado nas internações por Covid-19, Leite ainda assinalou que há uma transformação no perfil dos pacientes que estão sendo hospitalizados por conta do novo coronavírus. Até o final do ano se trabalhava com a ideia de que pessoas acima de 60 anos ou com comorbidades estavam mais suscetíveis à gravidade da doença. Porém, nos últimos dias, foi observado aumento no número de internações de pacientes sem comorbidades, ou seja, teoricamente aqueles que não eram considerados grupos de risco para a Covid-19, estão também registrando casos graves da doença.

"Agora temos um público de pacientes mais jovens, que não têm comorbidades, ou seja, o que pode significar que não se trata apenas de protegermos os grupos de risco, porque a doença efetivamente está acometendo com maior gravidade a população fora das faixas de risco e por isso precisamos ter a colaboração de todos", frisou Leite. De acordo com ele, a Secretaria Estadual da Saúde está verificando maior vulnerabilidade pelo vírus, por uma razão ainda a ser conhecida através dos estudos. 

"Estamos fazendo todos os esforços no sentido de esclarecer as razões deste avanço tão rápido, não temos estudos suficientes para poder afirmar categoricamente as causas, se é uma nova cepa, se é uma variante, o que está ocasionando isso, porque está acontecendo muito rapidamente, mas é uma realidade que está ocorrendo no Estado", pontuou. 

Por conta da situação apontada como grave pelo governador Eduardo Leite, os hospitais gaúchos serão informados sobre o plano de contingência hospitalar. Conforme Leite, será solicitado que as cirurgias eletivas sejam suspensas para que essas estruturas fiquem disponíveis para pacientes da Covid-19.

O diretor do Departamento de Regulação da Secretaria Estadual da Saúde do RS (DRE/SES), Eduardo Elsade, enfatizou que ainda há possibilidade de os hospitais utilizarem leitos de UTI emergenciais. "Inclusive se necessário convocando equipes médicas para que a gente consiga expandir ao máximo a rede do RS, isso em uma etapa subsquente, claro que esperamos que não chegue a este ponto, mas o Rio Grande do Sul está preparado para um agravamento dessa epidemia se assim ela se comportar", declarou, reforçando que é preciso que o Estado esteja preparado para um agravamento nas próximas semanas.

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, destacou que estamos passando por uma fase "de grande preocupação" da pandemia. "Temos o plano de contingência emergencial para podermos fazer frente a todo este momento, a gestão pública, junto com hospitais e municípios, fazem o seu trabalho, mas há também uma necessidade de compromisso da população, principalmente quando a pessoa tem sintomas, que não circule para não ampliar a transmissão desse vírus", disse. 

Leite finalizou a transmissão informando que bandeira preta não é lockdown. "No Brasil, isso não se demonstra, até aqui, viável. Eu diria pelas pressões sócioeconômicas", assinalou. Além disso, Leite ressaltou que a bandeira preta estabelece medidas "bem mais restritivas" de atividades econômicas, como forma de reduzir a circulação do vírus. Com relação às restrições, Leite ressaltou que "não há nenhum prazer do governador do Estado em estabelecer restrições para a população".

"Pelo contrário, ter que tomar decisões como essas não é nada fácil, mas é o que se impõe como responsabilidade para o momento crítico que estamos vivendo", frisou, complementando que é preciso que todos os gaúchos evitem todos os contatos possíveis de serem evitados. "Nenhuma atividade é absolutamente segura, nós buscamos reduzir riscos, mas nada é 100% seguro, então quem puder: fique em casa, evite circular, evite aglomerar, porque vai dar colaboração para si, seus amigos, suas famílias e para todo o Estado, pois superar este momento é tarefa de todos nós".

Bandeira preta: o que muda nas regiões

As restrições das atividades mudam na bandeira preta. A educação infantil em creches e pré-escolas, o Ensino Fundamental, de anos iniciais e finais, o Ensino Médio e Técnico e o Ensino Superior (incluindo graduação e pós-graduação) só podem ocorrer de forma remota. O ensino presencial é permitido, com restrições, atendimento individualizado e sob agendamento, apenas para atividades práticas essenciais para conclusão de curso de Ensino Médio Técnico concomitante e subsequente, Ensino Superior e pós-graduação da área da saúde, e Ensino Médio Técnico subsequente, Ensino Superior e pós-graduação.

No serviço público, apenas áreas da saúde, segurança, ordem pública e atividades de fiscalização atuam com 100% das equipes. Demais serviços atuam com no máximo 25% dos trabalhadores presencialmente. Os serviços essenciais à manutenção da vida, como assistência à saúde humana e assistência social, seguem operando com 100% dos trabalhadores e atendimento presencial.

Nos serviços em geral, restaurantes (à la carte ou com prato feito) podem funcionar apenas com tele-entrega e pague e leve, e 25% da equipe de trabalhadores. Essa definição também vale para lanchonetes, lancherias e bares. Salões de cabeleireiro e barbeiro permanecem fechados, assim como serviços domésticos.

O comércio atacadista e varejista de itens essenciais, seja na rua ou em centros comerciais e shoppings, pode funcionar de forma presencial, mas com restrições: equipes de no máximo 25% dos trabalhadores são permitidas. O comércio de veículos, o comércio atacadista e varejista não essenciais, tanto de rua como em centros comerciais e shoppings, ficam fechados.

Os cursos de dança, música, idiomas e esportes também não têm permissão para funcionar presencialmente. No lazer, ficam proibidos de atuar parques temáticos, zoológicos, teatros, auditórios, casas de espetáculos e shows, circos, cinemas e bibliotecas. Demais tipos de eventos, seja em ambiente fechado ou aberto, não devem ocorrer.

Academias, centros de treinamento, quadras, clubes sociais e esportivos também devem permanecer fechados. Todas as áreas comuns de lazer dos condomínios devem permanecer fechadas, incluindo academias.

Locais públicos abertos, como parques, praças, faixa de areia e mar, devem ser utilizados somente para circulação, respeitado o distanciamento interpessoal e o uso obrigatório e correto de máscaras. É proibida a permanência nesses locais.

Missas e serviços religiosos podem operar sem atendimento ao público, com 25% dos trabalhadores, para captação de áudio e vídeo das celebrações. Os bancos, lotéricas e similares podem realizar atendimento individual, sob agendamento, com 50% dos funcionários. E no transporte coletivo municipal e metropolitano de passageiros, é permitido ocupar 50% da capacidade total do veículo, com janelas abertas.

Posicionamento SINDHA

O Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha) se manifestou sobre o anúncio do governador Eduardo Leite, que colocou 11 regiões em bandeira preta no mapa preliminar do distanciamento controlado, enrte elas Porto Alegre. Para a entidade, este é o único caminho possível para tentar frear o aumento dos contágios e transmissão do coronavírus no Estado, evitando um cenário ainda pior em que as atividades econômicas voltem a fechar novamente.

"Não queremos um novo fechamento e nem podemos ter qualquer tipo de nova restrição no horário de funcionamento. A gastronomia e a hotelaria não irão suportar mais esse baque econômico. A medida do governo do Estado vai justamente nesse caminho, de tentar frear a contaminação e fazer com que possamos seguir avançando, sem retroceder. Na verdade, essa decisão ainda demorou a acontecer, mas esperamos que, neste momento, a sociedade, incluindo todos os poderes e a população em geral, cumpram o seu papel para passarmos por isso da maneira mais rápida possível e evitarmos o pior. Ou nos cuidamos e levamos a sério esse momento crítico, ou a situação agrava e o nosso setor não aguentará portas fechadas mais uma vez, e será esse o futuro se tivermos uma piora nesse cenário", afirmou o presidente do Sindha, Henry Chmelnitsky.

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