O incêndio na boate Kiss completa quatro anos nesta sexta-feira em meio ao desejo dos familiares dos 242 mortos e dos 636 sobreviventes de que responsáveis pela tragédia sejam punidos. O dia de hoje será dedicado a homenagens, que começaram com uma vigília na noite dessa quinta-feira, mas também marca a união dos parentes e o engajamento para que casos como esse não se repitam.
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O processo principal que apura a tragédia foi instruído e julgado, sendo decidido, no dia 27 de julho do ano passado, que os quatro réus serão submetidos a júri popular. As defesas recorreram da decisão de primeiro grau e o recurso está sendo analisado pelo Tribunal. Os réus são os sócios da Kiss Elissandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann e os músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão. Ao longo do processo, o juiz de Direito Ulysses Fonseca Louzada ouviu 204 pessoas, entre sobreviventes, testemunhas, peritos e réus.
Três bombeiros foram levados a julgamento pelo Tribunal de Justiça Militar do RS, acusados de responsabilidades no incêndio. Um deles foi condenado a um ano e três meses de reclusão e outro, a um ano. O terceiro foi absolvido. Em outro processo, no Tribunal de Justiça, um quarto bombeiro foi condenado a seis meses de detenção por fraude em documentos relacionados ao caso do incêndio. A pena foi revertida em prestação de serviços à comunidade e ele pode apelar da sentença em liberdade.
Também tramitam na Justiça processos em que quatro pais de vítimas da tragédia são processados por integrantes do Ministério Público por calúnia e difamação. Já o Instituto Juntos e famílias recorreram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para que agentes públicos que não foram acusados possam ser novamente investigados.
Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, a banda que se apresentava na boate acendeu um artefato pirotécnico que teria atingindo o teto, dando início ao incêndio. Conforme denúncia do MP, as centelhas entraram em contato com a espuma altamente inflamável que revestia partes do local, causando o fogo e a emissão de gases tóxicos. No projeto da Kiss em 2009, teriam sido apontadas 29 irregularidades.
Programação
• 9h - Roda de conversa com profissionais que atuaram ou atuam em ações ligadas à tragédia, sobre ações e desafios, no auditório da SUCV (rua Venâncio Aires, 1934).
• 15h - Apresentações culturais na praça Saldanha Marinho: corneteiro da Base Aérea, Coral Orquestrando Ulbra, cantora Giovanna Maira, Companhia Sorriso e banda da 3ª Divisão do Exército.
• 17h - Culto ecumênico na praça Saldanha Marinho.
• 18h - Toque de sinos na cidade.
• 18h20min - Leitura de mensagem do presidente da Associação de Familiares e Sobreviventes da Tragédia (AVTSM), na praça.
• 18h40min – 242 balões serão soltos no momento do toque de sirenes de dois caminhões de bombeiros, na praça.
• 19h15min – Homenagem de corneteiro da Brigada Militar na praça Saldanha Marinho.
• 19h20min – Exibição de vídeo de homenagens na praça.
• 19h30 – Colóquio com o professor da Unicamp, tradutor e crítico literário Márcio Seligmann e com a psicóloga e professora Rosana Dorio Bohrer, além de uma sobrevivente da tragédia e um familiar de vítima. A atividade ocorre
na tenda na Saldanha Marinho.
• A TV Campus, da UFSM, apresenta programação especial sobre os quatro anos da tragédia.
• Das 8h às 14h, também como parte da programação, haverá a primeira etapa do Desafio Solidário, uma iniciativa da Associação Ah Muleke. Duas equipes, o União Independente, de futsal, e o Universitário Rúgbi, convocam atletas e torcedores para doação de sangue no Hemocentro Regional, que está com os estoques baixos. Os participantes devem levar 1 quilo de alimento não perecível.
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