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Segurança da Kiss conta que desmaiou devido à fumaça

Em depoimento, mulher afirmou que não recebeu treinamento para usar extintores

Os depoimentos do processo criminal sobre o incêndio na boate Kiss foram retomados na manhã desta quinta-feira em Santa Maria, na região central do Estado. A segurança da casa noturna Doralina Machado Peres relatou que não percebeu, inicialmente, que a correria era em função do fogo. Ela pensou que se tratava de uma briga e só depois notou que as chamas já haviam tomado conta de parte do teto. Ao ver uma fumaça preta, ela desmaiou. Após receber atendimento médico, descobriu que havia sido salva por um colega de trabalho. A exemplo da colega Rute Brilhante da Cruz, a segurança da Kiss afirmou que jamais recebeu treinamento para usar extintores. Ela admitiu que nem sabia a quantidade de equipamentos disponível no estabelecimento.

A sobrevivente Flávia Benvenutti foi a primeira a ser ouvida nesta quinta. A jovem, que era frequentadora do local, contou que perdeu a noção do tempo quando o incêndio começou. Flávia relatou ainda que ficou surpresa quando a música parou e só depois de um certo tempo notou que o motivo era o começo do incêndio da boate. Durante a fuga, ela lembrou que encontrou muitas pessoas já caídas no chão. Segundo ela, taxistas que trabalhavam pela região ajudaram os sobreviventes a deixar a Kiss.

Após o recesso desta manhã, os depoimentos serão retomados com a palavra de mais cinco pessoas. Os relatos de Francisco de Assis Pereira, João Francisco Alves, Rafael Lago Busanello, Erick Alberni Pampuch e Bruna Pilar da Silva começarão a partir das 13h30min.

Oitivas ainda em setembro

Ainda ocorrerão oitivas nos dias 19, 24, 25, 26 e 27 de setembro. No total devem ser ouvidos 52 sobreviventes. Algumas vítimas serão ouvidas, neste mês, por cartas precatórias nos municípios de Horizontina, Passo Fundo, Quaraí, Rosário do Sul e Uruguaiana.

Os quatro réus – Kiko e Mauro Hoffmann - outro sócio da casa noturna -, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.

A tragédia


O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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