Pablo Ricardo Pacheco, que estava no fundo da boate quando começou o incêndio, seguiu o tom de outras testemunhas e disse que o local estava superlotada no dia da tragédia. Ele contou que chegou a desmaiar devido à fumaça e foi retirado da Kiss por outras pessoas que o arrastaram até a parte de fora.
O segundo depoente, Douglas Araújo Risse, era frequentador assíduo da Kiss. Ele afirmou que a boate estava mais cheia que o habitual no dia da tragédia. Risse disse que percebeu o fogo assim que ele começou no teto e que se dirigiu à porta, que estava fechada e foi aberta a base de pontapés. Outras duas testemunhas ainda irão depor nesta quinta-feira no Fórum de Santa Maria.
Oitivas seguem na próxima semana
Ainda ocorrerão oitivas nos dias 24, 25, 26 e 27 de setembro. No total devem ser ouvidos 52 sobreviventes. Algumas vítimas serão ouvidas, neste mês, por cartas precatórias nos municípios de Horizontina, Passo Fundo, Quaraí, Rosário do Sul e Uruguaiana.
Os quatro réus – Kiko e Mauro Hoffmann - outro sócio da casa noturna -, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.