Os servidores do Judiciário do Estado iniciaram na manhã desta quinta-feira uma greve por reposição salarial de 15%, redução da jornada de trabalho, construção de um Plano de Cargos e Salários (PCS) negociado com os funcionários, definição de um calendário para reposição das perdas e reajuste do auxílio-alimentação para R$ 799, como recebem os juízes.
A mobilização ocorre em diversas comarcas do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, os trabalhadores estão reunidos no Prédio II do Foro Central, na rua Manoelito de Ornellas, 50. Conforme o secretário-geral do Sindicato dos Servidores (Sindjus), Davi Pio, não há encontros marcados com o presidente do Tribunal (TJ), desembargador José Aquino Flôres de Camargo.
Incidente dá força à mobilização
Segundo Pio, a greve ganhou força depois de um incidente na Comarca de Sapucaia do Sul, nessa quarta-feira, quando os trabalhadores se negaram a participar de uma cerimônia. Depois, convocados pelos juízes do local, compareceram em um encontro onde o presidente do TJ deu um “sermão” nos servidores. Conforme Pio, o presidente, inclusive, ameaçou os funcionários com demissões. Davi Pio divulgou uma nota, no seu Facebook, criticando o posicionamento de José Aquino Flôres de Camargo.
A assessoria de imprensa do presidente do Judiciário estadual negou que tenha ocorrido ameaças. O posicionamento da Casa é de cortar o ponto em qualquer greve. Isso incide, posteriormente, na efetividade dos trabalhadores. Em 2014, a paralisação também teve o ponto cortado e, até hoje, os dias parados não foram pagos.
Segundo a direção, o TJ precisa que seja aprovada a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) na Assembleia Legislativa. A previsão é que seja apreciada no plenário até o dia 14 de julho. Atualmente, está na Comissão de Finanças. A partir daí, será possível saber os recursos disponíveis para o reajuste salarial. O Tribunal alega que, nos últimos anos, o reajuste concedido foi superior à inflação e, no ano passado, foi definido 1º de julho como data-base.
Sobre a possibilidade de haver alguma reunião, a assessoria afirma que não há nada marcado. No entanto, a direção do Tribunal está à disposição dos sindicalistas para negociar a qualquer momento.
Movimento ganha apoio
A Associação dos Servidores da Justiça do RS decidiu apoiar a greve dos servidores através de uma manifestação do presidente Paulo Olympio. "A ASJ optou por apoiar o movimento por reconhecer a justiça das reivindicações devido à crise institucional entre os poderes e internamente no poder judiciário", disse.
Servidores do Judiciário iniciam greve por reposição salarial
Categoria ainda reivindica reajuste do auxílio-alimentação para R$ 799