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Sessão da CPI da boate Kiss é marcada por protestos

Discussão entre mãe de vítima e servidora da Câmara de Vereadores gerou tumulto

CPI da Kiss tem confusão entre funcionária e parente de vítima em Santa Maria
CPI da Kiss tem confusão entre funcionária e parente de vítima em Santa Maria Foto : João Vilnei / Especial / CP
A sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Santa Maria que investiga as causas do incêndio na boate Kiss foi marcada por protestos na manhã desta sexta-feira. Uma integrante da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) discutiu com uma funcionária da Câmara de Vereadores do município, gerando um princípio de tumulto. As duas mulheres quase se agrediram antes de serem separadas por vereadores.

Segundo testemunhas, a servidora teria dito que "a página precisa ser virada". O que teria gerado revolta e iniciado a discussão. Em entrevista à Rádio Guaíba, o presidente da AVTSM, Adherbal Ferreira, disse que a funcionária falou que "não tinha nada a ver com isso tudo e que não envolvia o filho dela. Isso é uma indecência", argumentou Ferreira. Durante a sessão, pizzas foram entregues aos parlamentares.

O descontentamento em Santa Maria aumentou desde a liberação dos sócios da Kiss, do vocalista e do produtor da banda Gurizada Fandangueira da penitenciária do município. O presidente da AVTSM classificou a decisão do Tribunal de Justiça como uma puxada de tapete. "Os ânimos estão à flor da pele. Essa decisão nos arrebentou. A parte psicológica de todos os pais e familiares foi afetada", afirmou. Na sessão de hoje, três fiscais da prefeitura e o ex-secretário de Controle e Mobilidade Urbana, Sério Medeiros, serão ouvidos.

Câmara de Veradores divulga nota sobre episódio

"A Câmara de Vereadores lamenta o incedente envolvendo uma servidora e a mãe de uma das vítimas da tragédia da boate Kiss. Trata-se de uma situação isolada e a postura de uma sevidora não representa o posicionamento deste Poder Legislativo. A cópia das imagens caputradas pelas câmeras de segurança já foram solicitadas ao setor administrativo para análise e posterior providências, caso necessário. A Câmara se solidariza com a dor dos pais e familiares das vítimas e reitera se tratar de episódio isolado, devendo ser analisado e diuscutido administrativamente."


Parentes das vítimas compareceram com cartazes e protestaram durante sessão / Foto: João Vilnei / Especial / CP

A tragédia


O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 242 pessoas mortas.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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