Segundo testemunhas, a servidora teria dito que "a página precisa ser virada". O que teria gerado revolta e iniciado a discussão. Em entrevista à Rádio Guaíba, o presidente da AVTSM, Adherbal Ferreira, disse que a funcionária falou que "não tinha nada a ver com isso tudo e que não envolvia o filho dela. Isso é uma indecência", argumentou Ferreira. Durante a sessão, pizzas foram entregues aos parlamentares.
O descontentamento em Santa Maria aumentou desde a liberação dos sócios da Kiss, do vocalista e do produtor da banda Gurizada Fandangueira da penitenciária do município. O presidente da AVTSM classificou a decisão do Tribunal de Justiça como uma puxada de tapete. "Os ânimos estão à flor da pele. Essa decisão nos arrebentou. A parte psicológica de todos os pais e familiares foi afetada", afirmou. Na sessão de hoje, três fiscais da prefeitura e o ex-secretário de Controle e Mobilidade Urbana, Sério Medeiros, serão ouvidos.
Câmara de Veradores divulga nota sobre episódio
"A Câmara de Vereadores lamenta o incedente envolvendo uma servidora e a mãe de uma das vítimas da tragédia da boate Kiss. Trata-se de uma situação isolada e a postura de uma sevidora não representa o posicionamento deste Poder Legislativo. A cópia das imagens caputradas pelas câmeras de segurança já foram solicitadas ao setor administrativo para análise e posterior providências, caso necessário. A Câmara se solidariza com a dor dos pais e familiares das vítimas e reitera se tratar de episódio isolado, devendo ser analisado e diuscutido administrativamente."
Parentes das vítimas compareceram com cartazes e protestaram durante sessão / Foto: João Vilnei / Especial / CP
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 242 pessoas mortas.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.