Durante a segunda-feira, cerca de 170 mil usuários ficaram sem o serviço. Nos outros horários do dia, a categoria também descumpriu a lei de greve e não manteve o efetivo mínimo de 30% de pessoal trabalhando. Filas se acumularam nas paradas de ônibus, que se tornaram as únicas opções de transporte para a Região Metropolitana.
A decisão foi tomada, mesmo sem o recebimento de notificação por parte do Sindimetrô. Como houve publicidade do caso, na imprensa e no site do Tribunal, a desembargadora decidiu imputar a pena. Na decisão, ela fala que a direção do sindicato usou de "subterfúgios" para evitar o recebimento da notificação, que a sede da entidade permaneceu fechada e o celular do presidente do sindicato, desligado.
Como cabe recurso da decisão, o presidente do sindicato adiantou que vai entrar com ação para tentar invalidar a determinação. O presidente do Sindimetrô, Luís Henrique Chagas, esclarece que a meta não é confrontar a decisão, mas questionar o valor abusivo estabelecido pelo Judiciário. “A gente vai recorrer e segue os trâmites normais da Justiça. Se no final tiver que pagar, nós vamos pagar. Além do mais, eu considero este valor abusivo como uma prática anti-sindical para amedrontar o trabalhador”, apontou.Nove meses depois, o Sindimetrô ainda não pagou os R$ 30 mil aplicados pela Justiça do Trabalho (TRT), em 2011, depois que um protesto semelhante ao desta segunda-feira parou o Trensurb, na manhã de 18 de agosto. Na ocasião, a entidade descumpriu a manutenção de um efetivo mínimo de pessoal, de 30%, em horários de pico. O sindicato entrou com recurso tentando invalidar a ordem alegando ter sido notificado só às 9h, depois que o período de maior procura pelos trens já havia passado. Com o processo ainda em andamento, a multa, ainda hoje, segue em aberto.
Em 2011, os funcionários retornaram às atividades no mesmo dia, após terem acordado reajuste salarial com a presidência da Trensurb antes do horário de pico da tarde. Para o ex-presidente do Sindimetrô, Renato Schuster, o valor da multa estipulada pela Justiça pode ter dobrado justamente em virtude da reincidência.
Em Novo Hamburgo, o Ministério Público Federal anunciou que vai pedir abertura de inquérito, na Polícia Federal, para que sejam apurados possíveis crimes praticados pela direção do sindicato. A decisão decorre do descumprimento da ordem do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região a fim de manter os trens operando nos horários de pico.
De acordo com o procurador da República, Celso Tres, os sindicalistas incorreram, entre outros delitos, no de paralisação do trabalho de interesse coletivo. A categoria exige aumento salarial de 21%, alegando que o percentual equivale às perdas com a inflação nos últimos nove anos. O diretor-presidente da Trensurb, Humberto Kasper, disse que a proposta da empresa vai ser divulgada nesta semana.