Machado foi ouvido às portas fechadas na sessão presidida pelo Juiz de Direito Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Santa Maria, responsável pelo processo criminal que apura o incêndio na boate Kiss, que causou a morte de 242 pessoas e deixou mais de 600 feridos.
Além de colher os depoimentos dos sobreviventes da tragédia na Comarca de Santa Maria, onde tramita a ação, o juiz Ulysses Louzada também preside as cartas precatórias (no caso, quando as testemunhas se encontram fora da comarca de jurisdição). Além de Spohr, são réus no processo criminal o sócio dele Mauro Londero Hoffmann e os músicos da banda Gurizada Fandagueira Luciano Augusto Bonilha Leão (produtor) e Marcelo de Jesus dos Santos (vocalista do grupo musical).
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o incêndio teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.