Os depoimentos duraram mais de duas horas e fazem parte do processo criminal que investiga o incêndio que matou 242 pessoas no município da região Central do Estado. O baterista Eliel Bagesteiro de Lima e o guitarrista Rodrigo Lemos Martins moram em Rosário do Sul, motivo pelo qual a audiência ocorreu na cidade da Fronteira Oeste.
A juíza Juliana Tronco Cardoso, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Rosário do Sul, foi a responsável por ouvir os relatos. Os questionamentos foram feitos pelo promotor José Eduardo Gonçalves.
Os músicos tocavam no momento em que um artefato pirotécnico atingiu o teto coberto por uma espuma que fazia o isolamento acústico da casa noturna. Segundo eles, a tentativa de sair do interior da boate Kiss no momento em que começou o incêndio foi prejudicada pela falta de portas de emergência e pela superlotação.
Outra audiência está marcada para 19 de agosto, em Porto Alegre, quando serão ouvidos um dos sobreviventes, através de carta precatória. Existe ainda a possibilidade de que no mesmo dia o gerente da casa noturna seja ouvido na 2ª Vara do Júri, na condição de sobrevivente. Ainda em agosto, outra sobrevivente da tragédia deve prestar esclarecimentos em Caxias do Sul.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.