Dois meses é o tempo médio de espera para conseguir uma consulta de perícia médica no INSS. A longa espera se deve principalmente à greve dos médicos peritos, que já dura 50 dias no Estado. A categoria realizará na quarta-feira, às 10h30min, em Brasília, uma reunião nacional para avaliar os resultados e a manutenção ou não da paralisação.
Além da dificuldade em agendar a consulta, a remarcação é outro fator que testa a paciência dos beneficiários. “É a segunda vez que remarcam a minha perícia, sendo que estou desde abril sem receber o benefício e conseguir trabalhar”, disse a balconista Isabel Cristina Jacinto, ao deixar revoltada a agência do INSS, na avenida Bento Gonçalves. Com a remarcação, a perícia deverá ocorrer apenas no dia 8 de outubro. “Neste período não poderei fazer nada, apenas aguardar. É uma situação de total descaso”, destacou ela.
O autônomo Paulo Reis também deixou a agência indignado com o documento com a nova data para a sua consulta com o perito. “Eles deveriam pelo menos ter me avisado para que não perdesse o tempo vindo ate aqui”, disse ele, que aguarda há dois meses pela perícia e terá que esperar ainda mais um mês para fazer a consulta.
Ausência na consulta representa a desistência do benefício
Apesar da greve dos médicos peritos, a Gerência Regional de Porto Alegre do INSS recomenda que os beneficiários com consulta agendada compareçam às unidades no dia e hora marcados. A ausência representa desistência do pedido de benefício. Segundo a Gerência, o tempo médio na marcação das perícias tem sido de 50 dias. Nos casos normais, o agendamento era de 15 dias. A nova marcação também pode ser feita pelo telefone 135.
A vice-presidente da Associação dos Médicos Peritos do INSS no Estado, Clarissa Bassin, avaliou que a paralisação conseguiu uma vitória importante no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a avaliação do STF, os profissionais têm autonomia de definir o tempo das consultas dos beneficiários, não devendo ser obrigados pelo INSS. Clarissa ressaltou que esse era um dos pontos que gerava incômodo na categoria e também integrava os motivos da paralisação.
“O perito tem que dispor de tempo necessário para realizar o serviço, analisando os exames, laudos e outros documentos, avaliar o estado de saúde do usuário e tomar uma decisão, sem ter que levar em conta a pressão do relógio”, destacou ela, lembrando que o INSS queria que os profissionais realizassem 24 perícias por dia, não levando em consideração o tempo e as condições de trabalho.
Contratação de mais profissionais
Clarissa lembrou ainda que uma das solicitações feitas pela categoria é a contratação de mais profissionais. No Estado existem cerca de 280 profissionais, sendo que o ideal seria o dobro. “Desde o ano passado houve um grande número de pedidos de aposentadorias e de demissão voluntária, o que reduziu rapidamente o quadro de funcionários”, explicou ela. Outro pedido dos médicos peritos é sobre o horário de atendimento das agências. A categoria pede que o funcionamento ao público dure 12 horas consecutivas, sem fechar ao meio-dia.
Tempo de espera para consulta médica no INSS é de dois meses
Demora se deve à greve da categoria, que já dura 50 dias no Estado