Trabalhadores do setor de eventos protestam contra novas restrições no RS

Trabalhadores do setor de eventos protestam contra novas restrições no RS

Decreto com regras mais rígidas ao funcionamento das atividades econômicas foi publicado pelo governo estadual no último dia 30

Cláudio Isaías

Ao menos 50 pessoas se reuniram em frente ao Palácio Piratini nesta sexta-feira

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Com gritos de ordem de "Queremos liberdade para trabalhar", um grupo de 50 pessoas ligadas ao setor de eventos protestou nesra sexta-feira em frente do Palácio Piratini, no Centro Histórico de Porto Alegre. O alvo dos empresários ligados aos setores de bares, restaurantes, academias, centro de esportes, vans escolares, clubes, casas noturnas, salões de festas e buffets foi o mais recente decreto publicado no dia 30 de novembro pelo governo do Estado com mudanças no modelo do distanciamento controlado para o enfrentamento da pandemia da Covid-19.

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Entre as ações, estão alterações em protocolos de bandeira vermelha (risco epidemiológico alto), suspensão de eventos e festas de fim de ano, inclusive condomínios, incentivo à restrição de reuniões privadas e familiares, com limite de até 10 pessoas, além do reforço na campanha de comunicação para conscientizar a população e ampliação da fiscalização dos protocolos.

Os manifestantes carregavam cartazes com as seguintes mensagens: "Liberdade para trabalhar. Pela liberação de eventos. Todos temos famílias", "Seguimos todos os protocolos! Não somos responsáveis pela propagação da Covid-19" e !"Evento Importa! É Trabalho! É Economia! É Sustento! Não é só festa! Nos deixem Trabalhar". O ato contou com as presenças do deputado estadual Fábio Ostermann (Novo) e dos vereadores Felipe Camozzato e Mariana Pimentel, do Novo, e de Jesse Sangali, do Cidadania.  

A empresária Eliege Graeff de Oliveira, que possui um salão de festa em Alvorada, disse que os trabalhadores do setor de eventos foram os primeiros a fechar no final do mês de março e os últimos a retomarem suas atividades em novembro. "Não ficamos nem 30 dias abertos e o governador Eduardo Leite publica um decreto que nos prejudica", ressaltou. Segundo ela, o que indigna a categoria é que nas eleições municipais tudo estava "maravilhoso" e agora estamos sofrendo. "Temos família e contas a pagar e não podemos trabalhar. O governo estadual sequer estendeu a mão para ajudar o setor. É injusto com a nossa categoria", ressaltou. 

Eliege Graeff afirmou que se é para fechar que seja para todos. "Vamos então de uma vez para o lockdown. Agora, não pode somente fechar o setor de eventos", acrescentou. A empresária Cris Silva, de Taquara, que atua no segmento de organização de eventos como casamentos e aniversários, afirmou que o novo decreto criou uma dificuldade para o setor. "Cumprimos nesses oito meses todas as normas determinadas pelo governo estadual e montamos protocolos de segurança. Quando estávamos preparados para retomar nossas atividades com protocolos fomos simplesmente ignorados", ressaltou. Segundo ela, o governo precisa entender que os empresários do setor eventos precisam trabalhar. 

A empresária Aline Araújo, de Porto Alegre, que atua na organização de festas e casamentos, disse que a categoria quer trabalhar dentro das normas e não pode o governador Eduardo Leite tratar o setor como "marginais". O deputado estadual Fábio Ostermann afirmou que um grupo de deputados (indignados coma situação dos empresários do setor de eventos) vai conversar na próxima segunda-feira com o governador sobre a situação desses trabalhadores.

"Não podemos tolerar a essa altura da pandemia que a população seja submetida a esse calvário de restrições, especialmente em uma época crucial para o setor de eventos", acrescentou. O vereador Felipe Camozatto (Novo) afirmou que num primeiro momento se entendeu a questão das medidas restritivas para preparar o sistema de saúde em razão da pandemia. "O que ninguém consegue conceber são restrições tão agudas. Estamos com muito desemprego, lojas fechadas e empresas indo a falência o que gera uma indignação nas pessoas", destacou.


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