Geral

Tragédia de Santa Maria: Pais de vítima entram na Justiça contra livro

Familiares solicitaram proibição da venda e indenização de R$ 100 mil por danos morais

O livro "Kiss: Uma Porta para o Céu" de autoria do escritor Lauro Trevisan segue causando polêmica em Santa Maria. Os pais da jovem Taís da Silva Scaphin de Freitas, de 18 anos, uma das 241 vítimas da tragédia, entraram na Justiça contra a publicação. A família pede a proibição da venda do livro e o pagamento de indenização de R$ 100 mil por danos morais.

Há duas semanas, o padre prestou depoimento à Polícia Civil depois de um pedido da Associação de Familiares de Vitimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). No livro, o autor teria relatado que dois ou três jovens foram transportados vivos no caminhão frigorífico para serem identificados. Trevisan escreveu: “No auge da balada celestial, o Pai perguntou se alguém queria voltar. Dois ou três disseram que sim e foram encontrados vivos no caminhão frigorífico que transportava os corpos ao Ginásio de Esportes.”

Na ocasião, Trevisan disse que a frase foi uma "alegoria". O delegado de polícia Sandro Minerz, que coordena a segunda etapa do inquérito policial para esclarecer os responsáveis pela tragédia, afirmou que o padre não cometeu crime com o texto. O escritor retirou do livro o trecho e uma segunda ediçãoda obra foi lançada sem o relato.

A Polícia Civil de Santa Maria também analisa um texto publicado no jornal "A Razão", de autoria da jornalista e escritora Celina Fleig Mayer. No dia 17 de abril, ela publicou uma defesa do livro e conta que ouviu relatos semelhantes aos descritos pelo padre na obra. A jornalista disse qter ouvido falar em pessoas vivas amontoadas no caminhão e questiona "se havia algum médico no local para atestar a morte".

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A tragédia deixou 241 pessoas mortas.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

Bookmark and Share