Também depôs hoje Giovani Rodolfo Kegler, integrante da banda Gurizada Fandangueira. Ele disse que notou o fogo quando as chamas já tomavam conta do local, que tudo escureceu e que ele ouvia os gritos de socorro. De acordo com o contra-baixista, as pessoas começaram a correr e caiam umas por cima das outras. Kegler afirmou que toca há 21 anos e nos últimos tempos a banda sempre fazia shows pirotécnicos e “nunca ninguém reclamou”.
Mais quatro depoimentos estão marcados para esta quarta-feira e as audiências continuam nos dias 16 e 17 de julho.
Os quatro réus – dois proprietários da casa noturna, Elissando Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos – são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss, em 27 de janeiro. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.
Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.