A Fundação Universitária José Bonifácio foi contratada para fazer uma consultoria dentro da prefeitura e, futuramente, embasar uma licitação para a venda da folha de pagamento dos servidores a uma instituição financeira. Como nesse meio tempo, em 2011, houve a Lei da Portabilidade, nenhum banco ficou interessado, sendo, então, a folha vendida diretamente para a Caixa Econômica Federal. Mesmo assim, o então secretário de Finanças, Olívio de Menezes, ordenou o pagamento de R$ 870 mil para a Fundação, sem que ela tenha feito intermediação com o banco. O prefeito, enquanto isso, sustenta que desautorizou o pagamento, mas que os recursos foram empenhados.
Conforme o promotor Alécio Nogueira, nesse caso de desvio de recursos públicos aparece o nome do ex-secretário de Finanças e o da ex-diretora de Compras Luana Della Vale Marcon. Ambos foram demitidos. Em outra frente, o Tribunal de Contas segue a auditoria para apurar o desvio de verbas públicas através de empresas fantasmas e superfaturamento de valores na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O prefeito de Bento Gonçalves Roberto Lunelli negou, em entrevista coletiva na sexta-feira, qualquer envolvimento com os desvios. Ele reconhece que vai ter de se explicar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). De acordo com Lunelli, já há a comprovação material do desvio de R$ 300 mil na inspeção feita pelo TCE. O chefe do Executivo de Bento Gonçalves não foi reeleito para o cargo. Ele disse que após o fim do mandato, pretende se dedicar à atividade profissional de professor de matemática.