Israel lamentou a decisão palestina nesta sexta. "Acreditamos que o único caminho para a paz verdadeira é através de negociações e não através de passos unilaterais", disse o porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Gidi Shmerling.
Já os Estados Unidos convocaram Abbas a retonar às "negociações diretas" com Israel, apesar de seu pedido de adesão à ONU de um Estado Palestino. "Quando o discurso acabar, todos devemos reconhecer que o único caminho para criar um Estado é através de negociações diretas, não de atalhos", afirmou o embaixador americano na ONU.
Manifesto na Capital
Nesta sexta, dezenas de pessoas estenderam uma grande bandeira, no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre, para apoiar o reconhecimento da Palestina como Estado. Além da bandeira da Palestina, a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) colocou uma faixa no local com as palavras: "Justiça, Paz e Liberdade". Entre os que se agruparam em frente ao Mercado Público, estavam pessoas vestidas com roupas características da região.
O presidente da Fepal, Elayyan Aladim, destacou que mesmo de longe, o sofrimento dos palestinos é grande.
“O fato da imigração ser recente no Brasil resulta que a maioria de nós tem parentes diretos e de primeiro grau que ainda vivem na Palestina e sofrem diariamente com a opressão”, explicou.
Como funciona o reconhecimento da ONU
Após receber o pedido da Autoridade Palestina, o secretário-geral da ONU levará a solicitação ao Conselho de Segurança, que examinará e votará a proposta. Para aprovar a decisão e se tornar o 194º membro pleno das Nações Unidas, os palestinos precisam de nove votos de um total de 15 e nenhum veto dos membros permanentes (Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia).
No entanto, os Estados Unidos já deixaram claro que usarão seu poder de veto para derrubar a medida. Reino Unido e França devem se abster e, até agora, não reconheceram o Estado Palestino.
Outra alternativa para os palestinos é pedir para a Assembleia Geral da ONU adotar uma resolução clara. Para sua aprovação, seria necessária uma maioria simples. No entanto, neste caso, a Palestina se tornaria um "observador não membro", o que permitiria o ingresso a algumas entidades das Nações Unidas. Atualmente, os palestinos possuem status de observadores, representados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP).