Abbas apresentou hoje ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido para que as Nações Unidas reconheçam o Estado da Palestina como membro pleno. Após a medida, Israel lamentou a decisão. "Acreditamos que o único caminho para a paz verdadeira é através de negociações e não através de passos unilaterais", disse o porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Gidi Shmerling.
Já os Estados Unidos convocaram Abbas a retonar às "negociações diretas" com Israel. "Quando o discurso acabar, todos devemos reconhecer que o único caminho para criar um Estado é através de negociações diretas, não de atalhos", afirmou o embaixador americano na ONU.
O presidente palestino disse que está pronto para voltar à mesa de negociações, e que não deseja isolar ou deslegitimar Israel. "Declaro aqui que a Organização para a Libertação da Palestina está disposta a retornar imediatamente à mesa de negociações com base nos termos de referência adotados...e com uma cessação completa da colonização", afirmou em discurso na Assembleia Geral da ONU.
Abbas pediu que as Nações Unidas admitam o Estado da Palestina como membro pleno com base nas fronteiras de 1967, antes da Guerra dos Seis Dias com Israel, tendo Jerusalém como sua capital (Infográfico abaixo). De acordo com o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, o pedido palestino será estudado com rapidez e enviado ao Conselho de Segurança.
Manifesto na Capital
Nesta sexta, dezenas de pessoas estenderam uma grande bandeira, no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre, para apoiar o reconhecimento da Palestina como Estado. Além da bandeira da Palestina, a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) colocou uma faixa no local com as palavras: "Justiça, Paz e Liberdade". Entre os que se agruparam em frente ao Mercado Público, estavam pessoas vestidas com roupas características da região.
O presidente da Fepal, Elayyan Aladim, destacou que mesmo de longe, o sofrimento dos palestinos é grande.
“O fato da imigração ser recente no Brasil resulta que a maioria de nós tem parentes diretos e de primeiro grau que ainda vivem na Palestina e sofrem diariamente com a opressão”, explicou.
Como funciona o reconhecimento da ONU
Após receber o pedido da Autoridade Palestina, o secretário-geral da ONU levará a solicitação ao Conselho de Segurança, que examinará e votará a proposta. Para aprovar a decisão e se tornar o 194º membro pleno das Nações Unidas, os palestinos precisam de nove votos de um total de 15 e nenhum veto dos membros permanentes (Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia).
No entanto, os Estados Unidos já deixaram claro que usarão seu poder de veto para derrubar a medida. Reino Unido e França devem se abster e, até agora, não reconheceram o Estado Palestino.
Outra alternativa para os palestinos é pedir para a Assembleia Geral da ONU adotar uma resolução clara. Para sua aprovação, seria necessária uma maioria simples. No entanto, neste caso, a Palestina se tornaria um "observador não membro", o que permitiria o ingresso a algumas entidades das Nações Unidas. Atualmente, os palestinos possuem status de observadores, representados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP).