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Após destituição de Lugo, Paraguai amanhece com ruas vazias e comércio fechado

Manifestações discretas caracterizaram as últimas horas no país

Polícia paraguaia reprime protestos após decisão do Senado pelo impeachment do presidente Fernando Lugo
Polícia paraguaia reprime protestos após decisão do Senado pelo impeachment do presidente Fernando Lugo Foto : Pablo Porciuncula / AFP / CP
A incerteza e o medo sobre o futuro do Paraguai se refletiram nas ruas de Assunção, capital do país, nas últimas horas, após a destituição do presidente Fernando Lugo. O comércio fechou as portas, as escolas suspenderam as aulas e poucas pessoas ousaram sair às ruas. Os motoristas de táxi só aceitavam viagens aos locais distantes das manifestações. Porém, quem decidiu enfrentar os obstáculos dos policiais e o frio optou por protestos pacíficos durante a noite de sexta-feira e as primeiras horas deste sábado.

Em Assunção, depois do enfrentamento entre policiais e manifestantes nas praças em frente ao Congresso Nacional e ao Palácio do governo, poucas pessoas continuaram nas ruas. Algumas pintaram as cores da bandeira do Paraguai no rosto – branco, azul e vermelho – e outras mais discretos optaram por protestos pacíficos.

Professor de uma escola rural, Francisco Lescano acompanhou, da praça em frente ao Congresso Nacional, as últimas horas de discussão sobre o futuro do então presidente Fernando Lugo. “É um golpe não só para o Lugo. É um prejuízo para o Paraguai. É um retrocesso, pois quebrou-se a convivência democrática”, opinou.

Crianças, jovens, mulheres e homens formavam pequenos grupos que se aqueciam nas praças com a ajuda de fogueiras durante a noite e a madrugada. Os policiais e militares das Forças Armadas acompanhavam de perto os grupos. “O Paraguai vive uma situação conjuntural diferente, o que trará consequências políticas e econômicas para todo o país, será um retrocesso”, disse o camponês Néstor Ordez.

Para a líder juvenil da cidade de Mariano, Laura Ferrera, a substituição de Lugo por Federico Franco representa uma ameaça à democracia e à participação popular no processo político do Paraguai. Segundo ela, a Constituição do país permite o processo de juízo, como chamam, equivalente ao impeachment, mas a forma como foi conduzido é que levanta suspeitas. “Houve manobra política no processo.Foi tudo muito rápido. Em menos de 24 horas, resolveram o assunto. O povo paraguaio elegeu Lugo. Sou paraguaia e temos o direito de eleger o nosso presidente”, ponderou a líder.

Com a bandeira do Paraguai amarrada ao pesçoço, o funcionário público Bruno Equez defendeu que a população paraguaia reaja à destituição de Lugo de forma pacífica, mas organizada. “Acho que deveria ter uma resistência cidadão e uma desobediência, por exemplo, deixando de pagar impostos. A maioria da população está indignada com essa situação”, disse.

Fernando Lugo foi destituído pelo Congresso paraguaio após um julgamento político do qual foi notificado na quinta-feira e que se desenrolou na sexta-feira no Senado em apenas cinco horas, provocando expressões de inquietação e condenação nas Américas. Após sua saída, o vice-presidente Federico Franco, de 49 anos e membro do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, conservador), assumiu o cargo.

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