Um grupo armado de uma minoria étnica em Mianmar, o Exército de Arakan (AA), denunciou neste sábado (13) que um ataque aéreo da junta militar birmanesa causou a morte de pelo menos 19 estudantes do ensino médio. O ataque teria ocorrido pouco depois da meia-noite de sexta-feira, mirando duas escolas particulares no estado de Rakhine, no oeste do país.
Segundo o comunicado do grupo, que é um dos mais poderosos opositores aos militares no poder, as vítimas, com idades entre 15 e 21 anos, eram "inocentes". Além das 19 mortes, o ataque deixou outros 22 estudantes feridos. A junta militar, consultada pela agência de notícias AFP, ainda não se pronunciou sobre as acusações.
Condenação internacional e crise humanitária
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) condenou o que chamou de "ataque cruel" e manifestou preocupação com a "violência cada vez mais devastadora" na região, onde crianças e famílias estão pagando com suas vidas.
O ataque ocorre em um contexto de crise humanitária crescente. Em agosto, a ONU revelou que 57% das famílias no centro de Rakhine não conseguiam suprir suas necessidades alimentares básicas, uma situação que é provavelmente ainda pior em outras áreas de difícil acesso. A dificuldade de conexão telefônica e de internet na região impede a checagem das informações com testemunhas locais.