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Ataque dos EUA mira complexo militar e três estados da Venezuela antes da captura de Maduro

Líder venezuelano foi formalmente acusado de narcotráfico

Ataque dos EUA mira complexo militar e três estados da Venezuela
Ataque dos EUA mira complexo militar e três estados da Venezuela Foto : Jose ABREU / @Jabreu89 / X / AFP

Explosões e sobrevoos de aeronaves sacudiram Caracas por volta das 2h locais (3h de Brasília), no clímax de quatro meses de pressão militar contra Nicolás Maduro, de 63 anos. Os ataques foram dirigidos contra Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, e uma base aérea, entre outros locais, segundo jornalistas da AFP. A ação dos Estados Unidos terminou com a captura e prisão de Maduro.

Trump considerava ilegítimo o mandatário, que chegou ao poder em 2013 após a morte do presidente Hugo Chávez e foi acusado de fraude nas últimas eleições. Em 2020, Maduro foi formalmente acusado de narcotráfico pelos Estados Unidos, que ofereciam por ele uma recompensa de R$ 272 milhões.

Os Estados Unidos também atacou os estados vizinhos de La Guaira, onde fica o aeroporto de Caracas, Miranda e Aragua. Caracas amanheceu deserta, mas horas depois observavam-se filas em frente a supermercados. Para evitar saques, os comerciantes vendiam através das grades.

Vários bairros cheiravam a pólvora, enquanto agentes policiais encapuzados e fortemente armados percorriam a cidade e vigiavam prédios públicos. Cerca de 500 simpatizantes de Maduro se reuniram em frente ao palácio presidencial de Miraflores com retratos dele e bandeiras venezuelanas. O governo venezuelano denunciou que os bombardeios afetaram populações civis, sem apresentar provas.

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"Viva a Venezuela!"

O canal estatal VTV exibiu imagens de grades caídas e ônibus incendiados em La Carlota, uma base aérea de Caracas. "Viva a Venezuela, caralho!", comemoravam alguns de suas casas em um bairro de classe alta.

Antes da incursão deste sábado, os Estados Unidos bombardearam várias lanchas que supostamente transportavam drogas no Caribe, com saldo de mais de uma centena de mortos desde setembro. Washington também fechou informalmente o espaço aéreo da Venezuela, impôs mais sanções e ordenou a apreensão de navios carregados com petróleo venezuelano.

Maduro, que se proclama socialista, sempre afirmou que essas operações buscavam sua derrubada e a apropriação das reservas de petróleo do país. Durante seu governo, a Venezuela mergulhou em uma das piores crises econômicas de sua história, e líderes opositores foram alvo de dura repressão.

A autoridade aérea dos Estados Unidos notificou as companhias aéreas comerciais para que evitassem o espaço aéreo do Caribe. Enquanto isso, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, anunciou um "desdobramento maciço" de todas as capacidades militares do país.

O chanceler, Yván Gil, pediu, por sua vez, uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Chegou o dia e chorei"

Durante os bombardeios, alguns moradores se aproximaram de suas varandas e terraços para ver e gravar o que acontecia. Outros se esconderam em locais seguros. As explosões "me levantaram da cama à força", contou à AFP María Eugenia Escobar, moradora de 58 anos de La Guaira. "Na hora pensei: 'Deus, chegou o dia', e chorei".

O governo decretou o "estado de comoção externa", que concede poderes especiais diante de um conflito militar externo. "Ao final desses ataques, nós venceremos (...) Leais sempre! Traidores nunca!", bradou o ministro do Interior, Diosdado Cabello.

Países aliados da Venezuela, como Rússia, China, Irã e Cuba, rejeitaram os ataques, assim como os governos de esquerda do Brasil, Chile e México. Moscou exigiu dos Estados Unidos a libertação de Maduro, enquanto Pequim afirmou que sua captura ameaça "a paz e a segurança" regionais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou, por sua vez, que a operação contra Maduro estabelece um precedente perigoso ao desrespeitar o direito internacional. A chefe da diplomacia da União Europeia pediu "contenção", enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, duro crítico de Trump, mobilizou tropas na fronteira e reivindicou reuniões da OEA e da ONU "imediatamente".