Esta é a primeira vez que o premiê italiano comparece a uma audiência do processo em que está sendo julgado por corrupção de uma testemunha. A promotoria acusa Berlusconi de ter subornado, com uma transferência de 600 mil dólares em 1997, Mills para que prestasse falsos testemunhos em dois julgamentos no fim dos anos 90 contra o magnata.
Berlusconi afirmou não se lembrar de conhecer Mills, porque ele era um dos muitos advogados contratados pelo grupo Fininvest no exterior. Também disse que o valor corresponde ao pagamento feito por um armador italiano para evitar o fisco britânico. Mills foi condenado em um julgamento separado, em primeira e segunda instâncias, por corrupção em ato judicial a favor de Berlusconi, mas não cumpre pena porque o delito prescreveu.
Protesto
Na entrada do tribunal, os defensores da justiça exibiam faixas e flores por ocasião da Jornada em Memória das Vítimas do Terrorismo e dos 26 magistrados que perderam a vida em ataques terroristas ou atentados da máfia nos últimos 40 anos. Diante do palácio de justiça, foram colocadas fotografias gigantes de juízes assassinados pelo crime organizado. Uma faixa afirmava: "Obrigado aos magistrados e aos policiais que perderam suas vidas para nos proteger das Brigadas Vermelhas e de outros perigos".
Berlusconi voltou a repetir à imprensa que os magistrados são "o câncer" da justiça italiana e os acusou de estimular uma "guerra civil". Ele acusa sobretudo os promotores de usar a justiça para fins políticos, em particular contra sua liderança. O político, que aceitou assistir aos vários processos contra ele, compareceu na semana passada a uma audiência do caso Mediatrade, no qual é acusado de fraude e abuso de confiança na venda de direitos para a televisão.
Berlusconi, que evitou comparecer ante aos juízes por oito anos, também deve apresentar-se pelo caso "Ruby", o mais complicado para ele, no qual é acusado de prostituição de menor de idade.