Mundo

Bolívia elimina subsídio ao diesel

País do presidente Rodrigo Paz adota medidas impopulares para estabilizar a economia e acessar empréstimo bilionário do FMI

Rodrigo Paz assumiu o compromisso com o FMI de acabar com o subsídio aos combustíveis, reduzir o déficit fiscal e as despesas correntes
Rodrigo Paz assumiu o compromisso com o FMI de acabar com o subsídio aos combustíveis, reduzir o déficit fiscal e as despesas correntes Foto : Aizar Raldes / AFP / CP

A Bolívia anunciou na sexta-feira (18) a eliminação de todos os subsídios ao diesel, depois que o Congresso aprovou um crédito bilionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) para estabilizar a economia do País. O presidente boliviano de centro-direita Rodrigo Paz assumiu o compromisso com o FMI de acabar com o subsídio aos combustíveis, reduzir o déficit fiscal e as despesas correntes, além de garantir um câmbio flexível.

As medidas permitirão o acesso do País a um empréstimo de 1,9 bilhão de dólares (9,7 bilhões de reais). Paz acredita que a ajuda vai desencadear mais cooperação econômica de outros organismos internacionais.

Herança econômica e crise

Ao assumir o poder em novembro do ano passado, ele precisou adotar medidas para solucionar o problema da falta de combustíveis e de dólares, após herdar a pior crise econômica em 40 anos, que o presidente atribuiu aos antecessores de esquerda Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025). A Bolívia utilizou as reservas financeiras para manter um preço baixo dos combustíveis, mas isso provocou uma ausência quase total da moeda americana.

O preço do litro da gasolina e do diesel dobrou em dezembro de 2025. O segundo voltou a aumentar em agosto, mais de 100%, e atingiu 18 bolivianos, cerca de 2 dólares (10 reais). O governo havia anunciado que acabaria com o subsídio dos combustíveis em janeiro de 2026, mas começou pelo diesel a partir de sexta-feira e ainda falta uma decisão sobre a gasolina.

Veja Também

"Tomamos a decisão de que, a partir de hoje, o diesel custará o mesmo que nos custa comprá-lo fora", afirmou o presidente em uma mensagem divulgada pelo canal estatal de televisão.

Luta contra o contrabando

Paz afirmou que o subsídio, principalmente ao diesel, custa ao Estado quase 55 milhões de dólares (282 milhões de reais) por semana, mas que apenas incentiva o contrabando, porque os preços nos países vizinhos são superiores. Ele disse que o custo por litro "flutuará de acordo com o preço internacional", mas que permitirá garantir o abastecimento permanente e que acabará com o "negócio dos contrabandistas".

Como contrapeso à medida, anunciou ações na área social para aliviar o impacto sobre os setores mais vulneráveis. A surpreendente decisão presidencial foi anunciada algumas horas após o Congresso aprovar um crédito de 1,9 bilhão de dólares.

O Senado aprovou em definitivo o projeto de lei que autoriza o endividamento, "destinado a respaldar o programa integral de reformas econômicas do País", informou a Câmara Alta em comunicado. A iniciativa já havia sido aprovada pelos deputados na quinta-feira.