As devastadoras inundações no Paquistão, as piores da história do país, foram causadas por uma temporada de monção dez vezes mais potente que o habitual, indicam os dados da Agência Espacial Europeia (ESA) publicados nesta quinta-feira. Um terço do país está inundado e, segundo dados oficiais do país asiático, o número de mortos já passou de mil.
Mais de um milhão de casas foram destruídas e as perdas são avaliadas em 10 bilhões de dólares. É uma "catástrofe climática sem precedentes", segundo o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que viajará para a região na próxima semana.
A ESA utilizou o sistema de satélites Copernicus para medir a extensão do desastre e colaborar com o trabalho do resgate. A organização publicou imagens que mostram o rio Indo transbordado até formar "um amplo lago, de dezenas de quilômetros de extensão" entre as cidades de Dera Murad Jamali e Larkana.
Embora ainda seja cedo para avaliar o impacto exato das mudanças climáticas nestas inundações, os especialistas consideram que a umidade incomum desta monção coincide com os estudos já feitos.
Um estudo recente baseado em modelos climáticos afirma que a probabilidade de monções excepcionalmente úmidas no subcontinente indiano aumentará seis vezes no século XXI, mesmo que a humanidade consiga reduzir a emissão de gases do efeito estufa.