A vida noturna de Guayaquil, o principal porto do Equador, está desaparecendo sob um regime de violência, extorsões e assassinatos. Tiros, ameaças e pacotes explosivos se tornaram a rotina para proprietários de bares e casas noturnas, forçando muitos a fecharem suas portas. A vibrante cena de festas da cidade foi substituída por um clima de medo, movendo-se para áreas mais luxuosas e seguras, onde a vigilância privada com agentes armados se tornou a norma.
A crise da violência atinge proporções alarmantes no Equador. Com mais de 5.200 homicídios registrados até agora neste ano, o país se consolida como um dos mais perigosos da América Latina, com uma taxa de 39 assassinatos a cada 100 mil habitantes, segundo a Insight Crime. Guayaquil, com 2,8 milhões de habitantes, responde por 30% dessas mortes.
Extorsão: o crime que acaba com o comércio
A extorsão é o crime que mais cresce no país, sendo a principal causa do colapso da vida noturna. Um ex-proprietário de uma casa de salsa no centro de Guayaquil, que fechou seu negócio em dezembro de 2024, relatou à AFP como a situação se tornou insustentável. "Primeiro me pediram US$ 50 por semana, depois US$ 100, e o preço continuou subindo até que eu não aguentei mais", disse ele, sob anonimato. O prejuízo foi de aproximadamente US$ 10 mil, e hoje ele trabalha como taxista.
- Gol avalia retomar voos para Chile, Equador e Peru
- Equador apreende material explosivo para atos terroristas na Colômbia
Ernesto Vásquez, vice-presidente de uma associação de casas noturnas, estima que 50% dos bares no centro e sul da cidade já fecharam. "Se antes havia 38 bares em Portete (uma zona de classe trabalhadora), agora são 12", exemplificou. Aqueles que se recusam a pagar as extorsões enfrentam as consequências, como o restaurante que teve uma mala com explosivos jogada em sua entrada como forma de aviso.
Medo e insegurança tomam as ruas
Apesar das ordens do presidente Daniel Noboa de enfrentar as gangues com pressão militar, os traficantes continuam a aterrorizar a população. Em maio, dez pessoas foram baleadas em uma boate, e em outro ataque, um mês depois, um tiroteio deixou um morto e três feridos.
A população, assustada, evita as áreas que antes eram o epicentro da vida noturna. Valéria Buendía, de 36 anos, que costumava frequentar a Rua Panamá, agora tem medo de "balas perdidas". A rua, que já foi declarada "esquina mágica" pelo Ministério do Turismo, se transforma em uma cidade fantasma ao anoitecer. Apesar das promessas da polícia local, a reportagem da AFP não viu forças de segurança na área em uma noite de sábado, apenas agentes municipais desarmados, que por lei não podem portar armas.