Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques, neste sábado (28), contra o Irã após negociações frustradas e a violenta repressão aos protestos multitudinários exercidos pela república islâmica.
Confira a seguir quais são os principais atores nesta crise.
O presidente americano Donald Trump
O presidente americano, Donald Trump, prometeu se destacar como um pacificador, mas no caso do Irã, tem adotado a linha-dura. No ano passado, forças americanas apoiaram Israel em sua guerra contra a república islâmica, bombardeando várias instalações nucleares. Durante os protestos multitudinários que sacudiram o Irã em janeiro, Trump advertiu que responderia 'muito fortemente' se as autoridades 'começassem a matar gente, como fizeram no passado'.
Em seu primeiro mandato, Trump foi o artífice da doutrina de 'pressão máxima', que buscava fragilizar o Irã econômica e diplomaticamente. Em 2018, o americano retirou os Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, que previa uma suspensão gradual das sanções impostas ao Irã em troca de garantias de que Teerã não desenvolvesse a bomba atômica. Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica, mas Teerã insiste que seu programa unicamente tem fins civis. Em fevereiro, Irã e Estados Unidos retomaram as conversas indiretas, mas Trump continuou com suas ameaças.
O aiatolá Ali Khamenei
O líder supremo iraniano, de 86 anos, personificou durante muito tempo a atitude desafiadora da república islâmica em relação a seus inimigos, a começar por Estados Unidos e Israel. No poder desde 1989, Khamenei tem a última palavra sobre todos os assuntos importantes e supervisiona o avanço do programa nuclear iraniano. Ele defende que o enriquecimento de urânio é um direito soberano.
Expandir a influência regional do Irã ao Líbano, à Síria, ao Iraque e ao Iêmen tem sido um ponto-chave de sua política externa. Khamenei tem insistido que o Irã 'nunca se renderá' aos Estados Unidos e é cético em relação à diplomacia. Durante os diálogos sobre o programa nuclear de 2025, disse que duvidava que um acordo pudesse 'conduzir a algum resultado' e argumentou que os problemas do Irã deveriam ser resolvidos internamente. Quando foram retomados os diálogos, advertiu que o Irã era capaz de atingir os navios de guerra americanos destacados no Golfo. 'Os americanos deveriam saber que se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional', advertiu.
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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu
Durante décadas, o primeiro-ministro israelense denunciou as ambições nucleares do Irã, seu arsenal de mísseis e seu apoio a grupos armados, vendo em tudo isso uma ameaça existencial. A pressão de Netanyahu para que fosse lançada uma ação militar se materializou com a guerra de 12 dias contra o Irã em junho passado. Ele afirma que Israel agirá novamente para evitar que o Irã reforce suas capacidades de ataque.
Netanyahu instou reiteradamente o povo iraniano a derrubar seus governantes e restaurar os laços que os dois países tinham antes da Revolução Islâmica de 1979. Este mês, advertiu que 'se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, vão experimentar uma resposta que não podem nem imaginar'.
Reza Pahlavi, o filho do xá
O filho mais velho do último xá do Irã se posicionou como um líder em potencial em uma eventual transição democrática no Irã, um país ao qual não voltou desde a revolução. O príncipe herdeiro voltou a ficar sob os holofotes depois que muitos manifestantes gritaram 'Pahlavi voltará' nas recentes manifestações no Irã.
O homem de 65 anos convocou os iranianos a se manifestarem e a realizarem protestos em todo o mundo. Radicado nos Estados Unidos, pediu que Washington interviesse diretamente em apoio aos iranianos para derrubar o regime. 'Estou aqui para garantir uma transição para uma futura democracia secular', disse Pahlavi à imprensa em Munique em fevereiro. 'Chegou a hora de pôr fim à república islâmica', acrescentou, voltando a pedir 'ajuda' a Trump.
Ele é uma figura divisiva, sobretudo dentro da oposição iraniana. Pahlavi tem sido criticado por seu apoio a Israel, para onde fez uma viagem muito noticiada em 2023. Ele tem se mostrado muito crítico à repressão da república islâmica, mas nunca se distanciou dos abusos cometidos durante a época de seu pai no poder.
O príncipe herdeiro Mohamed bin Salman
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita e governante de fato do país Mohamed bin Salman compartilha a visão de outros Estados do Golfo: estão felizes de que o Irã seja fragilizado, mas temem que isto gere instabilidade e caos na região. A Arábia Saudita, cuja população é majoritariamente sunita, é o principal exportador mundial de petróleo e mantém tradicionalmente relações tensas com o Irã, seu rival xiita do outro lado do Golfo.
Meses depois de se tornar príncipe herdeiro em 2017, Mohamed bin Salman causou irritação no Irã ao descrever Khamenei como o 'Hitler' do Oriente Médio. Mas Riade e Teerã restauraram suas relações em 2023, uma aproximação auspiciada pela China. A estabilidade regional se tornou o principal objetivo da Arábia Saudita, imersa em um processo de transformação centrado nos setores do turismo e dos negócios, com a ideia de reduzir sua dependência do petróleo.
Em janeiro, a Arábia Saudita e outros países do Golfo pediram a Washington que se mantivesse prudente em relação ao Irã, disseram à AFP várias fontes da região naquele momento. Mohamed bin Salman prometeu que não permitiria que fossem realizados ataques contra o Irã a partir do território saudita, onde os Estados Unidos têm uma base militar.