O controle do Congresso dos Estados Unidos estará dividido no próximo ano após as eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira, nas quais a oposição democrata conquistou a Câmara de Representantes, e o partido Republicano, do presidente Donald Trump, manteve o Senado. O chefe de Estado, que acompanhou os resultados da Casa Branca, onde passou o dia recluso com amigos e familiares, destacou no Twitter o "tremendo sucesso" das eleições, consideradas um referendo sobre sua gestão.
Embora a "onda azul" anti-Trump não tenha-se concretizado, a perda de domínio na Câmara complica suas perspectivas. Com esta vitória, os democratas poderão não apenas bloquear iniciativas do presidente, como investigar suas finanças e se aprofundar na apuração da suspeita de conluio entre sua equipe de campanha e a Rússia em 2016, aumentando a possibilidade de que se inicie um processo de impeachment contra ele.
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Nancy Pelosi, a atual líder da minoria democrata na Câmara de Representantes, que deve voltar a presidi-la, anunciou a "restauração dos poderes e contrapoderes constitucionais", mas prometeu trabalhar com os republicanos. "Um Congresso democrata vai trabalhar em soluções que nos unam, porque todos tivemos divisões", afirmou. Os democratas tomaram dos republicanos as 23 cadeiras necessárias para ter a maioria na Câmara de Representantes, ao vencer em estados-chave como Virgínia, Flórida, Pensilvânia e Colorado, de acordo com projeções das redes de televisão Fox e NBC.
Já os republicanos consolidaram posição no Senado, arrebatando cadeiras em ao menos dois estados - Indiana e Dakota do Norte - e mantendo as atuais no Tennessee e no Texas, que estavam sob ameaça. Os democratas conseguiram tirar dos republicanos as duas primeiras cadeiras na Câmara, vencendo nos estados da Virgínia e da Flórida. A democrata Donna Shalala conquistou a cadeira pela Flórida que foi ocupada durante anos por Ileana Ros-Lehtinen, a primeira cubano-americana eleita para o Congresso.
Já na briga pelo Senado, os republicanos acertaram um duro golpe nos democratas ao ficar com a cadeira de Joe Donnelly em Indiana, derrotado por Mike Braun, candidato apoiado pelo presidente Donald Trump. Donnelly era um dos cinco democratas que defendiam sua cadeira no Senado em circunscrições onde Trump venceu em 2016 e onde a política econômica atual seduz os eleitores.
Na Flórida, o democrata Andrew Gillum, que aspirava a ser o primeiro governador negro desse estado, foi derrotado pelo republicano Ron DeSantis. O democrata Joe Manchin defendeu sua cadeira de senador pela Virgínia Ocidental, outro estado em que Trump venceu em 2016. O veterano Manchin, 71 anos, enfrentou o republicano Patrick Morrisey, apoiado por Trump.
Senador supera acusações de corrupção para manter posto
Em Nova Jersey, o senador democrata Bob Menéndez foi reeleito, um alívio para o seu partido, que temia que as acusações de corrupção pudessem beneficiar seu adversário republicano, Bob Hugin. Bob Menéndez, 64 anos, senador desde 2006, teve sua popularidade abalada após ser julgado por suposta ajuda a um médico em troca de diárias em hotéis de luxo em alguns balneários.
Disputa acirrada no Texas
No Texas, o republicano Ted Cruz derrotou o democrata Beto O'Rourke em uma das disputas ao Senado mais acirradas destas eleições. A vitória de Cruz sobre O'Rourke, um carismático congressista e antigo membro de uma banda de música punk, cuja campanha foi apoiada por estrelas como Beyoncé e LeBron James, era fundamental para manter a hegemonia republicana no Senado.
Nestas eleições estavam em jogo 435 assentos da Câmara de Representantes, 35 cadeiras do Senado, 36 governos de estados americanos, além de vários cargos locais, como prefeitos, juízes e xerifes. "O tema central das eleições é Trump, Trump e Trump", resumiu Cliff Young, do Instituto Ipsos.
As redes de televisão mostraram longas filas de pessoas esperando para votar, em uma eleição cujo grande interesse foi revelado pelos 38,4 milhões de votos antecipados nos estados que permitem essa modalidade, 40% a mais do que nas eleições de meio de mandato de 2014. O nome de Trump não apareceu nas cédulas de votação, mas ele deixou claro que era um referendo sobre sua presidência, que até agora contava com a maioria republicana nas duas Câmaras.
Democratas recuperam Câmara e republicanos se consolidam no Senado dos EUA
Sob o domínio dos opositores, Donald Trump pode ter suas iniciativas bloqueadas e ser investigado