Representante ultraconservador pelo Missouri, Akin divulgou um vídeo de 30 segundos onde afirma que quer justiça contra os estupradores. "O estupro é um ato cruel", diz o candidato. "Usei as palavras de forma incorreta e, por isso, peço desculpas. Como pai de duas filhas, quero que a justiça seja dura com os estupradores. Tenho um coração compassivo em relação às vítimas de agressão sexual, e rezo por elas". "O estupro pode levar uma mulher a ficar grávida. A verdade é que o estupro produz inúmeras vítimas (...). O erro que cometi estava nas palavras, não no coração, e peço perdão", acrescentou.
O deputado republicano, membro da comissão de Ciência da Câmara de Representantes, provocou uma onda de críticas em função das declarações que fez no último domingo ao canal KTVI. Ao explicar sua oposição ferrenha ao aborto - também em casos de estupro -, Akin afirmou que "os casos de gravidez depois de um estupro são muito raros". "Se for um verdadeiro estupro, o corpo da mulher tenta por todos os meios bloquear isso", disse ele. "Nos casos em que isso acontecer, o castigo deve recair no estuprador e não na criança", acrescentou Akin, que já foi eleito seis vezes.
Tanto o candidato republicano à presidência Mitt Ronmey, como seu companheiro de chapa, Paul Ryan, imediatamente tomaram distância do posicionamento do deputado e muitos começaram a pressioná-lo para que desistisse da candidatura. Um alto dirigente do Partido Republicano, Reince Priebus, chegou a afirmar que os comentários de Akin eram "biologicamente imbecis" e se fosse ele, Priebus, que os tivesse feito, se retiraria da corrida eleitoral.
Segundo as normas eleitorais vigentes no estado do Missouri, Akin tem até a noite desta terça-feira para anunciar a retirada de sua candidatura, mas até o momento não deu qualquer sinal de que vá desistir do pleito. Aproveitando a gafe de Akin, o presidente Barack Obama opinou que as declarações do deputado eram chocantes e ofensivas. "Um estupro é um estupro", enfatizou. A declaração colocou sobre a mesa eleitoral a questão do aborto, tema de permanente conflito nos Estados Unidos e exacerbado pela campanha presidencial.
A imprensa americana publicou um estudo de 1996 do Jornal de Ginecologia e Obstetrícia, que informava que 32.101 gestações (5% do total) eram resultado de um estupro. Segundo um relatório de 2011 da Associação de Obstetras, a cada ano são realizados "entre 10.000 e 15.000 abortos por gestações produzidas por um estupro ou incesto".