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Dinamarca pede respeito à soberania após Trump nomear emissário para Groenlândia

Presidente dos EUA designou o governador da Louisiana, o republicano Jeff Landry, como emissário especial para a região

Governo dinamarquês exige que Washington respeite sua soberania nacional na Groenlândia
Governo dinamarquês exige que Washington respeite sua soberania nacional na Groenlândia Foto : AFP

A Dinamarca anunciou, nesta segunda-feira (22), que convocará formalmente o embaixador dos Estados Unidos em Copenhague para prestar esclarecimentos. O governo dinamarquês exige que Washington respeite sua soberania nacional após o presidente Donald Trump nomear um emissário especial para a Groenlândia, território autônomo cobiçado pela atual administração americana por sua localização estratégica e riquezas minerais.

Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tem reiterado que os Estados Unidos "precisam" da ilha para garantir a segurança nacional. Em declarações recentes que elevaram a tensão diplomática, o presidente americano chegou a se recusar a descartar o uso da força para assumir o controle do território, tratando a questão como uma prioridade de defesa global e sobrevivência dos aliados.

Nomeação polêmica

O estopim para a crise atual foi o anúncio de Trump, feito na noite de domingo, designando o governador da Louisiana, o republicano Jeff Landry, como emissário especial para a Groenlândia. Em sua rede social, Truth Social, Trump elogiou Landry, afirmando que ele defenderá firmemente os interesses americanos. Landry, por sua vez, intensificou o mal-estar diplomático ao declarar-se "voluntário para tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos".

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, classificou a nomeação como "profundamente indignante" e "inaceitável". Em entrevista à emissora TV2, Rasmussen garantiu que o Ministério convocará o embaixador americano nos próximos dias para obter uma explicação oficial, reforçando que qualquer discussão sobre o território deve passar pelo respeito à integridade territorial do Reino da Dinamarca.

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Vontade popular na Groenlândia

Apesar do interesse agressivo de Washington, a população local parece discordar dos planos de Trump. Embora a maioria dos 57 mil habitantes da Groenlândia deseje a independência em relação à Dinamarca, uma pesquisa realizada em janeiro revelou que não há interesse em integrar o território aos Estados Unidos. As autoridades de Nuuk, a capital groenlandesa, têm sido enfáticas ao afirmar que a ilha não está à venda e que seu futuro será decidido apenas por seu próprio povo.

O governo dinamarquês reforçou, em comunicado enviado à AFP, que a nomeação de um emissário especial apenas confirma a persistência do interesse americano, mas que isso não altera o status jurídico e político da região. Para Copenhague, o movimento de Trump ignora as normas básicas de diplomacia e soberania entre nações aliadas.

A disputa pela Groenlândia ocorre em um cenário de crescente competição geopolítica no Ártico. Localizada estrategicamente entre a América do Norte e a Europa, a ilha tornou-se o centro das atenções de potências como Estados Unidos, China e Rússia.