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Entenda o mistério de três bebês abandonados em anos diferentes em Londres

Caso envolveu buscas em 400 residências e análise de centenas de horas de filmagens

Investigação sobre três recém-nascidos abandonados em parques de Londres entre 2017 e 2024 pode ser encerrada sem solução
Investigação sobre três recém-nascidos abandonados em parques de Londres entre 2017 e 2024 pode ser encerrada sem solução Foto : HENRY NICHOLLS / AFP

A investigação sobre três recém-nascidos abandonados em parques de Londres entre 2017 e 2024 pode ser encerrada sem solução. Embora os testes de DNA realizados em junho de 2025 tenham confirmado que as crianças são irmãos biológicos, a Scotland Yard admite ter esgotado todas as linhas de apuração.

O caso, que envolveu buscas em 400 residências e análise de centenas de horas de filmagens, permanece um mistério após oito anos do primeiro achado.

O cronograma dos abandonos em East Ham

Os bebês foram encontrados em um raio de menos de dois quilômetros em bairros da periferia leste de Londres:

Harry (2017): O primeiro irmão, descoberto em setembro.

Roman (2019): Encontrada em janeiro, sob risco de nevasca, após pedestres ouvirem seus choros.

Elsa (2024): A caçula, localizada menos de uma hora após o parto por um homem que passeava com seu cachorro.

Hipóteses psicológicas e sociais

Especialistas como Kevin Browne, da University College de Londres, sugerem que o anonimato forçado indica que a mãe pode estar em situação de perigo ou extrema vulnerabilidade. Uma das hipóteses é que ela seja uma imigrante temendo a deportação em meio ao atual clima de hostilidade no Reino Unido, optando por partos clandestinos e arriscados para evitar o contato com as autoridades.

Diferente da França ou de alguns estados americanos, o Reino Unido não possui leis de parto anônimo ou "caixas para bebês".

Enquanto a polícia ofereceu uma recompensa de 20 mil libras por informações, o foco da Justiça voltou-se para o bem-estar dos irmãos. Harry (8 anos) e Roman (6 anos) já foram adotados por famílias diferentes. Elsa, com quase dois anos, está em processo de adoção pela família que a acolheu.

A juíza Carol Atkinson descreve a caçula como uma menina entusiasmada, mas psicólogos alertam que as três crianças carregarão um sofrimento afetivo vitalício pela ausência de respostas sobre sua origem biológica.

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