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EUA pós-midterms: o que muda para a economia e política do Brasil com a derrota de Trump

Professores avaliam que revés trumpista pode reduzir tensões diplomáticas e afetar influência dos EUA na América do Sul

Professores avaliam que revés trumpista pode reduzir tensões diplomáticas e afetar influência dos EUA na América do Sul
Professores avaliam que revés trumpista pode reduzir tensões diplomáticas e afetar influência dos EUA na América do Sul Foto : Mandel Ngan / AFP / CP

A derrota expressiva do Partido Republicano nas midterms (eleições de meio de mandato) dos Estados Unidos de 2026 deve ter reflexos na política externa do País e nas relações com o Brasil. Com a perda de força política do presidente Donald Trump no Congresso, especialistas ouvidos pelo Correio do Povo avaliam que o resultado pode reduzir o tom de confronto adotado pela Casa Branca, especialmente em relação a países latino-americanos, além de abrir espaço para uma postura mais voltada ao diálogo.

Para o professor de Economia e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Andrés Ferrari Haines, o resultado representa uma perda de credibilidade para governos de direita alinhados a Trump.

"Donald Trump até então estava levando uma política externa que incluía influenciar diretamente nas eleições de países externos, como Brasil e Colômbia, fundamentalmente na América Latina, que foi classificada por Marco Rubio como ‘pátio traseiro’ dos EUA", reflete.

Ferrari destaca que a postura trumpista divergia do estilo habitual norte-americano, em que a influência em outros países acontecia de maneira secreta.

“A ideia era mostrar isso claramente, e Trump expressava isso como gesto de poder e capacidade de definir eleições em outros países. O impacto vai ser grande de perda de credibilidade, a meu ver, dos países de direita em que essa influência aconteceu", avalia.

O professor acrescenta que o resultado das eleições norte-americanas pode representar uma oportunidade para forças progressistas ampliarem seu espaço político. "A derrota de Trump e o fracasso do neoliberalismo irão permitir que governos progressistas façam políticas que de fato impactem na vida das pessoas", projeta.

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Relação entre Brasil e Estados Unidos

Para o professor do curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), João Jung, um dos principais efeitos da derrota republicana pode ser uma mudança na postura de Trump diante de seus interlocutores internacionais. Na avaliação dele, a perda de força no Congresso deve levar o presidente a adotar um comportamento menos impositivo e a ampliar o diálogo com integrantes do Partido Democrata.

"Acredito que Trump vai ter um tom menos deliberante. Ele tem dito que está conversando com alguns democratas eleitos, adotando mais o tom do diálogo. Prevejo maior diálogo", afirma.

Jung também projeta uma redução das tensões entre Washington e Brasília. O professor lembra que a relação entre os dois países passou por momentos de desgaste, especialmente em razão do tarifaço anunciado pelo governo norte-americano, e avalia que o resultado eleitoral pode contribuir para uma postura mais moderada dos Estados Unidos.

"O diálogo com o Brasil, que tem se tensionado, deve dar uma apaziguada e essa retórica ficar menos agressiva. Quando falo nisso, lembro do tarifaço, que foi um grande tema do ano passado. Entrou, saiu, diminuiu. Voltou", esclarece.

“O Brasil é um País importante para os Estados Unidos. Tem uma relevância para os EUA e está no imaginário dos norte-americanos. Os Estados Unidos também são muito importantes. Não temos como imaginar isso sem parceria", explica.

Para o especialista, a própria atuação do Legislativo norte-americano pode funcionar como um mecanismo de contenção das iniciativas de Trump, contribuindo para reduzir os atritos diplomáticos não apenas com o Brasil, mas também com outros países que foram alvo de medidas do governo republicano, como o Canadá.

"Acredito que, a partir do próprio Legislativo, irá se adotar esse freio. Isso também vale para outros países, como o Canadá, que sofreu com isso. A tendência é de um apaziguamento", avalia.

Jung considera que a manutenção de uma política externa aberta ao diálogo com diferentes países também é importante para os interesses brasileiros.

Segundo ele, o presidente Lula já sinalizou que pretende preservar uma atuação multivetorial, mantendo relações com diferentes parceiros internacionais, entre eles Estados Unidos e China. "No discurso de vitória, Lula já deixou claro essa postura. Isso interessa ao Brasil, que o diálogo seja mais razoável com os EUA", conclui.