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Ex-gerente do necrotério de Harvard condenado por vender pedaços de corpos

Transações ocorriam de forma clandestina, sem qualquer conhecimento ou autorização da universidade

Caso veio à tona em maio de 2023, resultando na demissão imediata de Cedric Lodge por Harvard
Caso veio à tona em maio de 2023, resultando na demissão imediata de Cedric Lodge por Harvard Foto : Joseph Prezioso / AFP / CP

O ex-gerente do necrotério da prestigiada Harvard Medical School, Cedric Lodge, de 58 anos, foi condenado nesta terça-feira (16) a oito anos de prisão. A sentença encerra um capítulo sombrio envolvendo o roubo e a venda ilegal de partes de corpos que haviam sido doados à instituição para fins de pesquisa científica e ensino médico.

Lodge havia se declarado culpado em maio pelo tráfico de restos mortais roubados. O esquema macabro operou entre 2018 e, pelo menos, março de 2020, envolvendo o desvio de órgãos internos, cérebros, pele, mãos, rostos e cabeças dissecadas.

De acordo com as investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Lodge e sua esposa, Denise, de 65 anos, transportavam os restos mortais da faculdade de medicina, localizada próxima a Boston, para sua residência em New Hampshire. De lá, os itens eram distribuídos para compradores em estados como Massachusetts e Pensilvânia.

As transações ocorriam de forma clandestina, sem qualquer conhecimento ou autorização da universidade, dos doadores ou de seus familiares. O FBI destacou que muitos dos restos mortais vendidos por Lodge eram posteriormente revendidos com fins lucrativos por terceiros. Denise Lodge também foi processada e condenada a um ano de prisão por sua participação no esquema.

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Reações

O caso veio à tona em maio de 2023, resultando na demissão imediata de Cedric Lodge por Harvard. O crime causou profunda indignação na comunidade científica e entre as famílias que haviam doado corpos de entes queridos acreditando que contribuiriam para o avanço da medicina.

"A sentença é mais um passo para garantir que aqueles que planejaram e executaram este crime hediondo sejam levados à Justiça", declarou Wayne A. Jacobs, agente especial do FBI. Além do casal Lodge, diversos compradores envolvidos na rede de tráfico já foram condenados ou aguardam sentença.

A Harvard Medical School revisou seus protocolos de segurança e acesso ao necrotério para evitar que falhas sistêmicas permitam a repetição de abusos éticos e legais dessa magnitude.