Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que o ex-príncipe Andrew pode ter compartilhado informações confidenciais com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. Enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, Andrew enviou relatórios estratégicos sobre visitas oficiais ao Vietnã, Hong Kong, Shenzhen e Singapura ao financista americano.
Em um dos registros, de novembro de 2010, o então duque encaminhou os dados a Epstein apenas cinco minutos após recebê-los de seu assistente.
Quebra de protocolo e segurança comercial
A troca de mensagens ocorreu no período em que Andrew exercia o cargo diplomático (2001-2011), função da qual renunciou após críticas sobre gastos e conduta. Segundo a BBC, outros e-mails mostram o ex-príncipe detalhando roteiros de viagens futuras ao criminoso, além de convites para que Epstein comparecesse ao Palácio de Buckingham para conversas privadas.
O compartilhamento desses relatórios levanta suspeitas sobre o uso de informações de Estado para fins particulares ou de terceiros.
Pressão e isolamento da realeza
O escândalo intensifica a crise em torno de Andrew Mountbatten-Windsor, destituído de seus títulos reais pelo rei Charles III em outubro, após novas revelações de sua proximidade com Epstein. O caso ganha peso com a divulgação de fotos inéditas, onde o ex-príncipe aparece em situações comprometedoras com jovens não identificadas.
Andrew, que sempre negou as acusações de agressão sexual feitas por Virginia Giuffre — falecida em abril de 2025 —, não se manifestou sobre os novos documentos.
Mudança para Norfolk
Diante das pressões e das investigações em curso, o Palácio de Buckingham confirmou que Andrew deixou sua residência no complexo de Windsor nesta segunda-feira (9). Por ordem do monarca, ele foi transferido para uma propriedade privada em Norfolk, no leste da Inglaterra.
O afastamento físico ocorre em um momento de crescente escrutínio parlamentar sobre as finanças e o histórico de comunicações do ex-membro da família real, cujas ações agora são tratadas sob o prisma da segurança institucional britânica.