Com isso, o Uruguai se tornará o segundo país da América Latina a permitir o aborto, depois de Cuba. No restante da região, a interrupção da gravidez também é legal apenas na Cidade do México, na Guiana e em Porto Rico.
Com a medida, o país latino pôs fim a décadas de debates em torno de um tema que dividiu a sociedade uruguaia, após o fracasso de cerca de dez projetos de legalização do aborto que surgiram desde 1978. O mais recente foi em 2008, quando o Parlamento aprovou a interrupção da gravidez, mas a norma foi vetada pelo então presidente Tabaré Vázquez - o primeiro de esquerda no país - , que alegou "princípios éticos". Ao contrário de Vázquez, o atual presidente José Mujica havia anunciado seu apoio à iniciativa.
Legisladores da oposição e organizações sociais já lançaram uma comissão para analisar a melhor forma de derrogar a polêmica lei. Entre as possibilidades que a comissão analisará estão a apresentação de recursos de inconstitucionalidade, uma apelação à Corte Interamericana de Justiça, alegando que a lei desrespeita o Pacto de San José, ou a coleta de assinaturas para a convocação de um referendo sobre a norma.