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Fim da Segunda Guerra Mundial completa 80 anos

Multidões se espalhavam pela Europa fazendo festa nas ruas naquele 8 de maio de 1945 que marcou a rendição nazista

O fim do maior conflito humano da história, celebrado em 8 de maio, foi atrasado em sete dias. E não se sabe quantas pessoas perderam a vida neste intervalo. No dia 30 de abril de 1945, o líder da Alemanha nazista, Adolf Hitler, havia se suicidado em seu bunker de Berlim. Seria razoável pensar que, morto o ideólogo da guerra, ela encontraria seu fim, mas o führer havia nomeado um sucessor, o almirante Karl Dönitz, como “presidente do Reich”. Àquela altura, Dönitz não tinha dúvida sobre o que fazer. O mais importante seria mover o máximo de tropas alemãs do front oriental para o Oeste, oferecendo a rendição aos Aliados ocidentais, e não à União Soviética – a decisiva força que barrou o avanço nazista.

Em 4 de maio Dönitz já havia entrado em acordo com o marechal britânico Montgomery para o fim dos combates na Holanda, Noroeste da Alemanha e Dinamarca. Era uma estratégia para ganhar tempo. A jogada diplomática de “não dar o braço a torcer” aos maiores inimigos ideológicos funcionou. Os soldados alemães viraram as costas aos soviéticos no Leste enquanto o general Alfred Jodl alcançava o quartel-general aliado em Reims, na França, no dia 7. Às 2h41min, Jodl assinou a rendição alemã, com efeito para o dia seguinte, perante o supremo comandante das forças aliadas, o general americano Eisenhower.

Ao mesmo tempo, o Exército Vermelho iria produzir uma segunda rendição, algo que fizesse jus a seu esforço. Na Berlim ocupada, o marechal-de-campo alemão Wilhelm Keitel assinou um texto ligeiramente modificado, mas que passou a ser o definitivo Instrumento de Rendição Alemã. Keitel empunhou a caneta às 22h43min do dia 8 e o armistício entrou em vigor 18 minutos após. Na URSS o fuso horário fez com que a data se eternizasse em 9 de maio. A celebração popular pelo fim da guerra harmonizou as duas assinaturas.

A notícia chegou aos britânicos pelo rádio, tarde da noite, no dia 7. A BBC interrompeu a programação e anunciou que o Dia da Vitória na Europa seria o dia seguinte, feriado nacional. Edições especiais de jornais foram impressas durante a madrugada. As dificuldades do tempo de guerra se converteram em dança e canto nas ruas, bandeiras, papel picado, fogueiras. Jantares foram organizados ao ar livre, bailes ocuparam salões e menus especiais “da vitória” foram servidos nos restaurantes.

| Foto: Arte de Leandro Maciel

Discurso de Churchill

Na Grã-Bretanha o governo precisou se certificar de que suprimentos de comida e bebida dariam conta da animação. As pessoas receberam permissão para dispensar cupons de racionamento por um dia e os pubs puderam funcionar até meia-noite. Cerca de 50 mil pessoas ocupavam a Piccadilly Circus no centro de Londres. À medida que a notícia corria o mundo, outras nações se entregavam à festa. Em Nova Iorque, 15 mil policiais foram mobilizados para controlar a multidão na Times Square. A Champs-Elysées parisiense foi tomada pela massa em direção à Place de la Concorde. No entanto, como Winston Churchill, o então premiê britânico, advertiu em discurso transmitido pelo rádio, a guerra ainda não havia terminado de todo.

No Extremo Oriente, o Japão se obstinava numa luta feroz, fadada à derrota, mas que ainda duraria meses. Essa distribuição geográfica do que restava do conflito talvez explique uma espécie de anticlímax sentido por parte da sociedade ocidental. No teatro de guerra do Pacífico, eram sobretudo os americanos, os britânicos, os soviéticos e os chineses a se baterem contra os japoneses. Para os combatentes ainda em luta, bem como para suas famílias, a redenção viria apenas alguns meses depois.

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