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França e Reino Unido firmam novo acordo para frear fluxo migratório no Canal da Mancha

Pacto condiciona financiamento britânico à eficácia de medidas e prevê duplicar segurança contra travessias irregulares

Grã-Bretanha e França concordaram com um novo acordo de três anos para impedir que migrantes indocumentados façam a arriscada travessia pelo Canal da Mancha em pequenos barcos
Grã-Bretanha e França concordaram com um novo acordo de três anos para impedir que migrantes indocumentados façam a arriscada travessia pelo Canal da Mancha em pequenos barcos Foto : STEFAN ROUSSEAU / POOL / AFP

As autoridades francesas e britânicas firmaram, nesta quinta-feira (23), um novo acordo para tentar impedir as travessias irregulares pelo Canal da Mancha.

Londres condicionou parte de seu financiamento à eficácia das medidas adotadas para reter os imigrantes.

Após meses de difíceis negociações, ambos os países chegaram a um pacto para prorrogar o tratado de Sandhurst durante os próximos três anos. O acordo bilateral, firmado em 2018 e já estendido em 2023, expirava em 2026.

"O acordo é extremamente importante para lutar contra as redes de imigração ilegal e erradicar totalmente estas redes", declarou o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez.

Ele assinou o novo acordo com sua homóloga britânica, Shabana Mahmood, em Loon-Plage, no norte da França.

Pela primeira vez, o financiamento das autoridades britânicas poderá chegar a 766 milhões de euros (R$ 4,45 bilhões) em três anos.

Este valor inclui "uma parte flexível" de 186 milhões (pouco mais de R$ 1 bilhão), condicionada à eficácia das medidas para impedir que as pessoas cheguem de forma irregular ao Reino Unido. Portanto, só estarão assegurados 580 milhões de euros (R$ 3,37 bilhões) por parte de Londres.

Contudo, apenas essa quantidade já representa um aumento, pois o Reino Unido havia aportado 540 milhões de euros no âmbito do plano anterior.

O roteiro do pacto, ao qual a AFP teve acesso, detalha que se as novas medidas não fornecerem "resultados suficientes", sobre a base de uma avaliação anual conjunta, o financiamento será reorientado para novas ações.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) criticou o novo financiamento "em função dos resultados".

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Segundo a MSF, este tipo de política "não impede que as pessoas busquem refúgio no Reino Unido" e as empurra para as redes dos "traficantes".

A associação de ajuda a migrantes Utopia 56 também lamentou a continuidade da política na fronteira franco-britânica.

Aumento de travessias e segurança reforçada

Para a Utopia 56, essa política "há anos vem demonstrando sua ineficácia e seu caráter perigoso" para aqueles que aspiram ao exílio.

Segundo dados oficiais, 41.472 pessoas chegaram de forma irregular ao Reino Unido em pequenas embarcações em 2025. Este número é o segundo mais elevado desde o início dessas travessias em 2018.

Pelo menos 29 migrantes morreram nessas águas em 2025, segundo um balanço da AFP baseado em fontes oficiais francesas e britânicas. Este novo acordo prevê duplicar os efetivos de segurança, para quase 1.400 agentes até 2029.

A colaboração entre Reino Unido e França "já permitiu impedir dezenas de milhares de travessias", destacou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em comunicado.

Ele acrescentou que "este acordo histórico nos permite ir além: reforçando a inteligência, a vigilância e a presença sobre o terreno para proteger as fronteiras britânicas".