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Irã ataca radares e sistemas de defesa americanos em resposta a bombardeios

Ação ocorre após advertência de Teerã sobre ataques mais poderosos em conflito que ameaça se espalhar

Registro divulgado pelos EUA mostra 10ª noite consecutiva de ataques contra o Irã
Registro divulgado pelos EUA mostra 10ª noite consecutiva de ataques contra o Irã Foto : US Central Command (CENTCOM) / AFP / CP

O Irã atacou nesta terça-feira (21) instalações americanas de radares e defesa antiaérea no Golfo. A ação ocorreu após Washington ter sido advertida sobre ataques "ainda mais poderosos" em um conflito que ameaça se espalhar, com o envolvimento dos rebeldes huthis do Iêmen.

O Exército dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira, sua décima noite consecutiva de ataques contra a república islâmica. As forças bombardearam centros de comando, capacidades navais e bases de mísseis e drones. O objetivo é "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando navios comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz".

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou nesta terça-feira que apreendeu dois petroleiros nessa via crucial para o trânsito mundial de hidrocarbonetos. Na véspera, outros dois navios tiveram o mesmo destino, e quatro no dia anterior.

Horas antes, um navio-tanque foi atingido por um "projétil não identificado" perto da costa de Omã, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

Além disso, o tráfego marítimo na região corre o risco de ficar ainda mais paralisado. Isso acontece depois que os huthis do Iêmen, aliados próximos de Teerã, bloquearam o Mar Vermelho à Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto.

Essa ação pode provocar uma "escalada regional ainda maior", alertou o porta-voz do secretário-geral da ONU. Condenada energicamente por Riade, a decisão dos huthis de bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb faz temer "um choque muito mais grave" devido à sua importância como rota alternativa a Ormuz, advertiu também Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College de Londres.

Ataques mais poderosos

Pouco mais de um mês após a assinatura do protocolo de acordo que deveria conduzir à paz, o presidente Donald Trump afirmou que o Irã pagará "muitas vezes mais" o preço por cada soldado americano morto no conflito.

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Três militares americanos morreram recentemente na Jordânia e no Iraque, os primeiros desde o recrudescimento da violência. Essas baixas elevaram para 17 o total de militares de Washington mortos desde o início da guerra em fevereiro.

O alcance dos bombardeios americanos se estendeu ao centro e leste do Irã, muito além das regiões do sul onde os ataques se concentraram após a retomada das hostilidades no último dia 7.

Na segunda-feira, foram reportados ataques em Bushehr, onde se encontra a única usina nuclear iraniana em funcionamento.

Em resposta, Teerã anunciou nesta terça-feira que voltou a disparar contra alvos militares dos Estados Unidos no Kuwait e Bahrein, aliados de Washington. Antes, também atacou a Jordânia.

A Guarda Revolucionária afirmou que "o inimigo deverá se preparar para ondas de drones e ataques com mísseis ainda mais decisivos e poderosos", em um comunicado divulgado pela agência oficial IRNA.

Segundo um balanço iraniano divulgado na última sexta-feira, 50 mortos e mais de 500 feridos foram registrados desde a retomada dos combates.

Essa retomada das hostilidades entre ambos os países afundou o protocolo de acordo que assinaram em 17 de junho para negociar o fim do conflito, iniciado em 28 de fevereiro com os ataques israelenses-americanos ao Irã.

Os esforços diplomáticos de Teerã e Washington continuavam, por meio dos países mediadores, afirmou na segunda-feira o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei.

O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, chegou na segunda-feira para uma visita de dois dias ao Paquistão, um dos mediadores juntamente com o Catar e Omã, anunciou Islamabad.