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Irã e EUA retomam negociações sob ameaças de ataque militar

Delegações iniciam terceira rodada em Genebra para encerrar impasse de “nem guerra, nem paz” no Oriente Médio

Encontro, mediado por Omã, ocorre sob forte tensão militar
Encontro, mediado por Omã, ocorre sob forte tensão militar Foto : OMANI FOREIGN MINISTRY / AFP

Delegações dos Estados Unidos e do Irã iniciaram, nesta quinta-feira (26), a terceira rodada de negociações em Genebra para tentar encerrar o impasse de "nem guerra, nem paz" que domina o Oriente Médio. O encontro, mediado por Omã, ocorre sob forte tensão militar, após o presidente Donald Trump enviar um grande dispositivo bélico ao Golfo e acusar Teerã de manter ambições nucleares e balísticas.

Enquanto Washington exige um acordo que neutralize a ameaça atômica e interrompa o apoio iraniano a grupos hostis a Israel, o Irã foca no fim das sanções econômicas e no direito ao uso pacífico da energia nuclear.

Divergências sobre mísseis e influência regional

Um dos principais pontos de atrito é o programa balístico iraniano. Em seu discurso sobre o Estado da União, Trump afirmou que Teerã desenvolve mísseis capazes de atingir a Europa e, em breve, o território americano. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, negou as acusações e reiterou que o arsenal balístico tem fins defensivos e alcance limitado.

Contudo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, advertiu que o diálogo nuclear é insuficiente se não incluir a discussão sobre a influência regional de Teerã, posição que os iranianos resistem em aceitar.

O diálogo atual tenta superar o trauma de junho passado, quando um ataque israelense ao Irã desencadeou uma guerra de 12 dias com bombardeios americanos a instalações nucleares. A tensão foi agravada em janeiro pela repressão violenta a protestos internos no Irã, o que levou Trump a ameaçar uma intervenção direta. Representados por Steve Witkoff e Jared Kushner, os EUA buscam garantias de segurança, enquanto a delegação de Abbas Araghchi classifica o encontro como uma "oportunidade histórica" para evitar um conflito de proporções ainda maiores que o anterior.

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Expectativa de guerra e cautela regional

Analistas de segurança internacional apontam que o Oriente Médio vive um momento de apreensão máxima. Países vizinhos, que em janeiro atuaram para conter uma ofensiva americana, agora temem que o fracasso das negociações em Genebra resulte em uma guerra de larga escala.

Para Teerã, o sucesso do encontro depende da seriedade de Washington em evitar posições contraditórias; para a Casa Branca, a prioridade é o desmantelamento efetivo de qualquer capacidade bélica nuclear que ameace os interesses ocidentais e seus aliados na região.