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Justiça da Colômbia ordena que candidato direitista peça desculpas por comentários sexistas

Abelardo de la Espriella disputará segundo turno das releições contra o senado Iván Cepeda

Abelardo de la Espriella, de extrema direita, é condenado por declarações sexistas e por pressionar jornalista sobre órgãos genitais
Abelardo de la Espriella, de extrema direita, é condenado por declarações sexistas e por pressionar jornalista sobre órgãos genitais Foto : Rodrigo Buendia / AFP / CP

A Justiça da Colômbia determinou nesta terça-feira que o candidato presidencial de extrema direita Abelardo de la Espriella peça desculpas públicas por declarações sexistas feitas durante uma entrevista e por pressionar uma jornalista a comentar sobre seus órgãos genitais.

Falastrão e, por vezes, desinibido, o advogado milionário ficou em primeiro lugar no primeiro turno presidencial no domingo, mas sem apoio suficiente para evitar um segundo turno em 21 de junho contra o senador de esquerda Iván Cepeda.

Uma juíza de Bogotá deu a De la Espriella um prazo de 48 horas para se retratar e pedir desculpas pelos comentários feitos durante o programa de rádio Piso 8, em 12 de maio. A magistrada avaliou que as declarações constituem "uma forma de violência" e reproduzem "estereótipos históricos discriminatórios contra as mulheres".

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Decisão judicial detalha assédio

Em uma entrevista registrada em vídeo que se tornou viral nas redes sociais, o candidato exibiu em seu telefone celular uma fotografia íntima. Ele afirmou ter obtido apoio do "eleitorado feminino" a partir dessa imagem, indica a decisão judicial em resposta a uma ação movida por uma cidadã.

Em seguida, ele insistiu para que uma jornalista presente observasse a fotografia e comentasse sobre ela. Mediante frases como "aproxime e me diga o que você vê aí" e "não seja tímida", o contexto de "insinuação sexual explícita" foi criado, acrescenta a decisão.

O candidato vem recebendo uma enxurrada de críticas por seus frequentes comentários sexistas e homofóbicos. A violência na Colômbia em períodos eleitorais tem sido uma preocupação constante, como visto em casos de integrantes da equipe de candidato que foram assassinados.

Retratação e contexto

"Não foi um simples comentário infeliz. Foi uma total falta de respeito comigo e com o meu trabalho. Senti-me violada, assediada e enojada", escreveu no X a jornalista envolvida. O candidato respondeu à publicação e pediu desculpas, alegando que "tudo ocorreu em um contexto humorístico".

Contudo, o tribunal rejeitou essas justificativas. A Justiça afirmou que o "problema constitucional não reside na utilização de uma linguagem coloquial", mas na mensagem transmitida ao sugerir que as mulheres "podem ser influenciadas politicamente" por critérios de atração sexual.

De la Espriella promove um projeto político que defende a família tradicional. Suas propostas de linha dura se aproximam das dos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei.