O Kremlin disse nesta sexta-feira (13) que a rejeição do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ao uso pela Ucrânia de armas de longo alcance fornecidas por Washington contra a Rússia é uma postura 'totalmente alinhada' com a de Moscou. 'A declaração de Trump está totalmente alinhada com nossa posição, com nossa opinião sobre os motivos da escalada.
É óbvio que Trump entende exatamente o que está agravando a situação', disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aos repórteres. Em um artigo publicado na quinta-feira pela Time, Trump disse que se opunha 'veementemente' ao fato de a Ucrânia usar mísseis americanos de longo alcance contra a Rússia.
'Estamos apenas aumentando essa guerra e piorando-a', disse Trump. Em novembro, a administração do presidente Joe Biden autorizou o uso de mísseis de longo alcance ATACMS dos EUA contra a Rússia depois que Kiev e as potências ocidentais relataram o movimento de milhares de tropas norte-coreanas em apoio aos russos.Os comentários do Kremlin coincidiram com um novo ataque à infraestrutura de energia ucraniana, que tanto Kiev quanto Moscou descreveram como 'maciço'.
O fornecedor privado de eletricidade DTEK disse que várias usinas térmicas foram 'severamente danificadas'. De acordo com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, a Rússia disparou 93 mísseis balísticos e de cruzeiro dessa vez, 81 dos quais foram abatidos.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que o ataque foi uma retaliação ao uso de mísseis ATACMS de longo alcance dos EUA contra seu território há dois dias.
À espera de que os 'pré-requisitos' sejam cumpridos
O Kremlin também disse nesta sexta-feira que os 'pré-requisitos' para a realização de negociações de paz com a Ucrânia ainda não foram atendidos, à medida que aumentam as especulações sobre um possível cessar-fogo antes da próxima posse de Trump em janeiro. 'Não queremos um cessar-fogo, queremos paz, assim que nossas condições forem atendidas e todos os nossos objetivos forem alcançados', disse Dmitri Peskov aos repórteres.
O porta-voz acrescentou que os 'pré-requisitos' necessários para iniciar as negociações ainda não foram estabelecidos. A Rússia está exigindo que as forças ucranianas deponham as armas, que Kiev ceda as cinco regiões que Moscou quer anexar e que a Ucrânia renuncie à adesão à Otan.
Trump pediu um 'cessar-fogo imediato' e negociações para encerrar o conflito, depois de se reunir em Paris há alguns dias com Volodimir Zelensky, sob os auspícios do presidente francês, Emmanuel Macron.
Ele também disse que a Ucrânia 'provavelmente' receberá menos ajuda de Washington. Os aliados europeus e Kiev temem que Trump possa forçar a Ucrânia a fazer concessões que seriam muito significativas e que de fato dariam a Putin uma vitória geopolítica e militar.