Capriles não reconhece a legitimidade das eleições que levaram Maduro à presidência e o chefe de Estado acusa o líder da oposição de "golpismo". Mas ambos superaram suas divergências nesta quarta-feira e apertaram as mãos no início da reunião para elaborar um plano contra a criminalidade na Venezuela, onde a taxa de homicídio é uma das maiores do planeta.
Maduro abriu as discussões agradecendo "a presença de todos os governadores e governadoras" no Palácio Miraflores, sede do governo. "Nicolás, lhe proponho deixar de lado nossas profundas divergências e nos unirmos contra a insegurança, em um só bloco", escreveu Capriles na terça-feira no Twitter. Maduro e Capriles fizeram uma campanha agressiva para as eleições de 14 de abril de 2013, realizadas após a morte do presidente Hugo Chávez.
O candidato "chavista" venceu por apenas 1,5 ponto ou cerca de 200 mil votos, e o resultado foi questionado pela oposição, que apontou uma série de irregularidades e entrou com ações no Supremo Tribunal de Justiça e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O encontro desta quarta-feira reuniu cerca de 100 governadores e prefeitos para discutir a questão da criminalidade no país, dois dias após o assassinato de Mónica Spear.
Finalista do Miss Universo em 2005 e atriz da rede americana Telemundo, Mónica Spear e seu marido, Thomas Henry Berry, 39, foram mortos a tiros dentro do carro no acostamento, depois de bater o veículo em um objeto colocado propositalmente em uma estrada entre Puerto Cabello e Valencia, a terceira maior cidade do país. Maya, filha de cinco anos da ex-miss, ficou ferida. Seu quadro é estável até o momento. Segundo a reconstituição do crime, o automóvel da atriz caiu em uma emboscada. Quando os criminosos se aproximaram, Mónica e o marido tentaram se trancar no veículo e foram alvejados.