Mundo

Manifestantes exigem retirada da bandeira confederada de Charleston

Estandarte simboliza região sul escravagista dos Estados Unidos

Manifestantes exigem retirada da bandeira confederada de Charleston
Manifestantes exigem retirada da bandeira confederada de Charleston Foto : Chip Somodevila / AFP / CP
Milhares de manifestantes protestaram nesse sábado à noite na Carolina do Sul para exigir a retirada da bandeira confederada, polêmico símbolo do sul escravagista dos Estados Unidos, três dias depois do assassinato de nove negros em uma igreja de Charleston por um jovem branco.

Aparentemente, o atirador de Charleston, o jovem branco Dylann Roof, tinha um blog abertamente racista, que exibe dezenas de fotos do suspeito com armas, queimando a bandeira americana, exibindo a bandeira da Confederação e justificando o crime por seu ódio contra os negros.

Durante a noite, milhares de pessoas protestaram em Columbia, capital da Carolina do Sul, diante do Parlamento local, onde a bandeira confederada continua hasteada, enquanto as bandeiras dos Estados Unidos e do estado permanecem a meio-mastro em sinal de luto. "Retirem", gritaram os manifestantes, que cantaram "We Shall Overcome", música emblemática do movimento a favor dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Muitas pessoas exibiram cartazes com frases que exigem a retirada do símbolo da Confederação durante a guerra civil, uma medida que só pode ser tomada pelo Parlamento local.

Debate recomeça

O debate sobre a bandeira confederada, símbolo de orgulho do sul para seus defensores, e de racismo para os críticos, foi reiniciado após o massacre de quarta-feira na histórica cidade de Charleston, um dos mais graves deste tipo na história recente do país.

Mais de 370 mil pessoas assinaram uma petição no site MoveOn.org que denuncia a bandeira confederada como "um símbolo da rebelião e do racismo" e pede a construção de "melhores Estados Unidos". Para o presidente Barack Obama, citado por seu porta-voz Eric Schultz, "a bandeira confederada pertence ao museu".

Mitt Romney, candidato republicano à Casa Branca derrotado em 2012, defendeu a retirada da bandeira confederada do Parlamento da Carolina do Sul em uma mensagem no Twitter. "Bem dito Mitt", respondeu Obama no Twitter.

A pré-candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, lançou neste sábado um apelo enérgico por um maior controle sobre as armas, após o massacre "sem sentido" em uma igreja emblemática da comunidade negra de Charleston, na Carolina do Sul (sudeste), que chocou o país.

"Sei que o porte de armas é parte da identidade de muitas comunidades respeitosas da lei", disse Clinton, durante uma reunião de prefeitos em San Francisco, "mas também sei que podemos fazer reformas de senso comum para manter as armas fora do alcance de criminosos e dos violentos instáveis, respeitando, ao mesmo tempo, os proprietários responsáveis".

Massacre

O massacre de Charleston aconteceu na quarta-feira, quando Dylann Roof, de 21 anos, entrou em uma aula de estudos bíblicos na Igreja Metodista Africana Episcopal Emanuel. Depois de permanecer uma hora no local, o jovem abriu fogo.

Segundo uma sobrevivente, antes de atirar, Roof teria afirmado: "Vocês estupraram nossas mulheres e tomaram o controle do país. Tenho que fazer o que tenho que fazer". Dylan Roof foi indiciado na sexta-feira por nove homicídios e posse de arma de fogo em m crime violento. A justiça federal o investiga por "terrorismo interno" e como autor de um crime de ódio.

O jovem, que estava desempregado e que abandonou o sistema escolar, morava em uma pequena localidade rural e integrava o grupo de americanos do sul que ainda se identificam com a bandeira confederada de 13 estrelas, vermelha, branca e azul.