A líder opositora María Corina Machado voltou nesta terça-feira à sede de seu partido em Caracas, dois dias após seu surpreendente retorno à Venezuela, para se reunir com a coalizão de oposição que recentemente a confirmou como sua candidata à Presidência.
A opositora e ganhadora do Nobel da Paz apareceu no domingo na cidade de Barquisimeto e iniciou uma viagem de 400 km por estrada até Caracas. Milhares de pessoas foram recebê-la em diferentes pontos do trajeto. "A Venezuela será uma referência para o mundo como um povo valente diante da pior das tiranias, com vontade, organização e inteligência", disse Machado a seus companheiros de partido.
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Encontro da oposição venezuelana
A principal coalizão opositora, a Plataforma Unitária, deve se reunir com Machado nesta tarde. "Nas próximas horas, estaremos reunidos com ela", afirmou a dirigente opositora Delsa Solórzano.
"A partir de agora, estaremos presencialmente com María Corina, com quem nunca deixamos de manter contato e com quem nunca deixamos de coordenar nossas ações", acrescentou.
A Plataforma Unitária apresentou recentemente um "Grande Acordo Nacional", com 14 iniciativas para a democratização do país e um roteiro para a realização de eleições gerais. A proposta é que Machado lidere esse processo. "Ela é a candidata presidencial das forças democráticas", concluiu Solórzano.
Necessidade de transição democrática
O Comitê Nobel afirmou nesta terça-feira que a Venezuela "ainda" precisa de uma transição democrática, após o retorno de Machado ao país.
"Muitas coisas mudaram nos últimos meses, mas a tarefa continua sendo urgente: a Venezuela ainda precisa de uma transição democrática baseada nos direitos fundamentais, na participação política e em eleições livres", declarou Jorgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Nobel norueguês, em um comunicado no qual celebrou o retorno de Machado. "O comitê expressa a esperança de que seu retorno fortaleça a oposição democrática e sua luta pacífica em favor da democracia", reiterou.
O Vente Venezuela, que defendeu a realização de eleições presidenciais em 2027, não forneceu detalhes sobre a agenda de Machado após seu retorno ao país, mas convocou uma entrevista coletiva para quinta-feira.