Por meio da nota, Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru criticam "energicamente a ruptura da ordem democrática" no país vizinho. Representantes do Paraguai estão suspensos também das reuniões preparatórias para a conferência.
A nota acrescenta que, na ocasião, os países do Mercosul discutirão outras medidas a serem adotadas contra o Paraguai.
Itamaraty avalia suspensão do Paraguai no Mercosul
O Brasil avalia que a suspensão política do Paraguai vale tanto para a reunião de cúpula do bloco prevista para quinta e sexta-feira, na Argentina, quanto para o próximo encontro de chefes de Estado, previsto para daqui a seis meses. Dessa forma, Franco, que ocupará a presidência por oito meses, não participaria de nenhuma cúpula do Mercosul.
Segundo a assessoria do ministro Antonio Patriota, os próximos passos da diplomacia brasileira serão dados em conjunto com Argentina e Uruguai, os outros dois sócios plenos da união aduaneira neste momento. Como o Paraguai não possui embaixadores destes países, convocados após o impeachment do ex-bispo Fernando Lugo na sexta-feira, uma via de diálogo terá que ser aberta, de acordo com o Itamaraty.
Um primeiro contato com o governo paraguaio foi feito, logo após o impeachment, segundo o Itamaraty. Patriota estava na capital paraguaia quando o Senado aprovou o impeachment e conversou com parlamentares e com Franco, que foi eleito vice de Lugo mas distanciou-se politicamente do ex-bispo. Com base nestes diálogos, o Brasil avaliou que o processo de afastamento do presidente paraguaio ocorreu dando pouca margem de defesa para Lugo, em uma velocidade sem paralelo quando comparado com outros impeachments no mundo.
América do Sul condena Paraguai
O impeachment de Fernando Lugo, votado na quinta pela Câmara e na sexta pelo Senado paraguaio, provocou a ira de parte da população e também de alguns países vizinhos. O Equador afirmou ainda na sexta-feira que não reconhece o substituto de Lugo, Federico Franco. A presidente argentina, Cristina Kirchner, classificou o ato como um golpe de Estado e no sábado retirou o seu embaixador do país, assim como o Chile. Neste domingo, Hugo Chávez anunciou a interrupção do envio de petróleo da Venezuela ao Paraguai.
O Brasil informou, por meio de seu Ministério de Relação Exteriores, que não interferiria em questões soberanas do estado vizinho. Porém, ainda não reconheceu oficialmente o governo Franco, como pede a comunidade brasileira que vive no Paraguai. E assina, junto com os demais membros do Mercosul, a suspensão do Paraguai do bloco.
Além disso, na última sexta, antes da votação no Senado, a presidente Dilma Rousseff previa a possibilidade de sanções ao Paraguai em caso de confirmação do impeachment.